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CARTAS -
Boletim ASA nº 91, nov-dez/2004
C
A R T A S
Boletim ASA, 15 anos
ASA 40, ASA 15
* Mais uma vez, meus parabéns ao clube e ao seu Boletim. É um espaço inteligente, democrático e comovente. No número 90, por exemplo, foi emocionado que li o texto de Henrique Samet sobre os judeus brasileiros que combateram na Espanha e conheci mais detalhes do Moisés Lipes: fui vizinho da Rua Hilário Ribeiro, ali perto da Praça da Bandeira, onde viviam sua mulher e seus filhos. Eu sempre quis conhecer melhor a história desse judeu que foi morrer na luta contra Franco e os fascistas, mas só agora obtive mais detalhes. A família Lipes, por onde anda agora? Lembro que viviam com muitas dificuldades, e nós, apesar das nossas próprias dificuldades, sempre procuramos ajudá-los. Alguém sabe deles? Parabéns, ASA, pelos 40 anos, e parabéns, Boletim, por ser esse espaço generoso e inteligente. Acho que a boa idéia do Fraim Hechtman precisa se transformar numa edição completa online do Boletim.
Henrique Veltman, São Paulo, SP
* Tomei conhecimento da ASA e fiquei encantado com a sua linha democrática, pluralista e, principalmente pacifista. Sou sociólogo, membro em formação do Centro de Estudos Psicanalíticos, e coordeno a área de relações institucionais da CDN – Companhia de Notícias, atualmente a maior agência de comunicação e relações públicas do país. Sou brasileiro, descendente de libaneses e italianos e casado com uma brasileira descendente de judeus. Nossas conversas constantes giram em torno de uma solução pacífica e definitiva para os conflitos do Oriente Médio, mesmo que isso implique em debater, até a exaustão, com os fanatismos e dogmas que lá predominam. Não podemos aceitar, em nome de nada, absolutamente nada, a inconsciência que nos assombra, com conseqüências trágicas para os inocentes. A única resposta é a reflexão aberta, ampla, corajosa, que aponta caminhos e soluções, e que deve levar em conta a necessidade de participar do processo de construção de um mundo melhor. Parabéns e muita saúde para a ASA e contem comigo efetivamente.
Carlos Muanis, São Paulo, SP
* Gostaria de parabenizá-los pelo Boletim e pelas matérias nele veiculadas. Há nele algo sempre de muito familiar e creio ser muito importante sustentar um lugar aberto às diferenças, principalmente nesses nossos dias tomados pelos fanatismos.
Mauro Rabacov, Rio de Janeiro, RJ
* Tive hoje o renovado prazer de ler um novo Boletim ASA. Privilégio que venho tendo regularmente já há algum tempo. Fiquei sabendo que o jovem Boletim já tem 15 anos, o que, para um órgão de imprensa comunitária, é uma enormidade. E quanta qualidade, quanta diversidade, quanta coragem de questionar os fáceis “consensos”... Deparei-me também com uma carta eivada de críticas rancorosas de Silene Balassiano, pessoa que desconheço. Não vou me deter sobre cada uma de suas afirmações, que me pareceram muito bem (e pacientemente) respondidas pela editora, Sara Markus Gruman. Só posso dar meu depoimento de que, de todo o contato que venho tendo nesses últimos três anos com a ASA e seu Boletim, nada reconheci que pudesse ensejar qualquer das críticas relacionadas. Ao contrário, aprendi a respeitar a ASA e seu Boletim - mesmo não tendo afinidade com todas as suas posições - como pontos de referência indispensáveis para qualquer judeu brasileiro que tenha uma mínima sensibilidade social. Como coordenador dos Amigos Brasileiros do PAZ AGORA (www.pazagora.org), venho encontrando junto à ASA, nos últimos três anos, ao lado de ativistas de movimentos sionistas progressistas, uma crescente convergência e identidade ideológica no apoio a um Estado de Israel democrático, que se consolide como lar nacional para o povo judeu. Exemplos eloqüentes disto foram o apoio da ASA na divulgação da Iniciativa de Genebra e a insubstituível e carinhosa participação no acolhimento no Rio de Janeiro de Gália Golan, dirigente israelense do PAZ AGORA, e, mais recentemente, de Yael Dayan, veterana pacifista e deputada da Knesset, hoje vice-prefeita de Tel-Aviv, cujas vindas ao Brasil tivemos a honra de promover. Bem-aventurada é a comunidade judaica que pode contar com uma instituição como a ASA, que valoriza mais a discussão construtiva do que o “consenso” do silêncio. Parabéns, amigos do Boletim, por terem chegado a essa idade “avançada” com tanta maturidade, equilíbrio e garra. Contamos com vocês para que, por muitos anos (120?), continuem promovendo o avanço na nossa comunidade judaica e na nossa sociedade brasileira. PAZ, vamos JUNTOS continuar buscando-a, AGORA !
Moisés Storch, São Paulo, SP
* Diante da metralhadora giratória da sra. Balassiano, que ataca ASA pelos “15 anos enxovalhando o Estado de Israel” e “prestigiando bandolins e pandeiros”, julgamos necessário manifestar nossa total e absoluta confiança nesse veículo precioso para a consciência humanista no seio de nossa comunidade, e para a transmissão do que há de melhor em nossa tradição para a sociedade brasileira. A ASA e seu Boletim têm honrado, sempre e com determinação, a afinidade histórica do povo judeu com os ideais de justiça e fraternidade universais, contribuindo dessa forma para que nossa comunidade estreite seus laços com a sociedade brasileira, e tenha a solidariedade brasileira à causa de um Estado de Israel efetivamente democrático e em paz com seus vizinhos. E, se a ASA sabe prestigiar bandolins para desenvolver esses laços, só lhe cabem cumprimentos. Ficamos preocupados em imaginar que a postura belicosa e etnocêntrica dessa senhora possa significar um afastamento de lideranças importantes de nossa comunidade em relação aos valores da Declaração Universal dos Direitos Humanos, conquista da Humanidade à qual nós, judeus, mais do que ninguém, temos de nos agarrar. O Boletim ASA é, ao contrário, instrumento para honrarmos, como judeus, esses valores universais.
Alberto Castiel, Dina Lida Kinoshita e Sérgio Storch,
São Paulo, SP
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