CARTAS - Boletim ASA nº 90, set-out/2004

C A R T A S

 

Boletim ASA, 15 anos

O Boletim ASA noticia e comenta o pensamento e as atividades do Judaísmo Progressista, importante setor da coletividade judaica do Rio de Janeiro. Mantém assim a tradição de cerca de oitenta anos da pioneira Biblioteca Israelita Brasileira Scholem Aleichem (BIBSA). Faço votos para que o notável trabalho desenvolvido pelo Boletim ASA se prolongue por muitos e muitos anos, em prol da defesa dos direitos humanos, da paz entre os povos e da solução negociada do conflito israelense-palestino e contra o racismo e o anti-semitismo.
Odilon Niskier, Rio de Janeiro, RJ

Referência indispensável, o Boletim ASA é um dos principais estímulos para a manutenção de um debate democrático dentro da comunidade judaica.
Alberto Dines, São Paulo, SP

Acompanho através dos anos o Boletim ASA com grande interesse intelectual e comunitário. Em meio a tantas publicações vazias de conteúdo, o Boletim ASA resguarda a tradição de uma comunidade pensante e crítica. Enquanto outras publicações servem a comunidade dizendo aquilo que as audiências querem ouvir, o Boletim é um oásis de sanidade e reflexão tão necessários para a criação de cultura e a promoção do humanismo judaico. Por essas e outras, é um órgão eminentemente espiritual, na acepção correta da palavra: promove e desafia o ser humano a ser mais e melhor. Parabenizo também a ASA, instituição que responde pelo Boletim, por ser a única instituição laica judaica que cresceu e revitalizou-se nos últimos anos. Precisamos resgatar mais desta vida fantasticamente rica do judaísmo humanista que restitui aos pensadores do judaísmo um lugar mais amplo que apenas o lugar dos rabinos. Ieshar Korchechem.
Rabino Nilton Bonder, Rio de Janeiro, RJ

Criado no contexto da queda do Muro de Berlim, o Boletim ASA vem enfrentando de forma corajosa, crítica e criativa as relações entre memória, história e contemporaneidade em perspectiva universalista e igualitária. Sensível às diferenças, pela pertença judaica, o Boletim resiste ao racialismo de novo tipo - sob a égide do multiculturalismo e da política de identidades -, alçado à condição de instrumento de combate às grandes injustiças sociais em nosso país. Em tempos de pensamento único e de prevalência de interesses particularistas na esfera pública, espero que o legado do "judeu não-judeu" deutscheriano encarnado pelo Boletim continue sendo cultivado por muitos anos na terra da mestiçagem e do futuro.
Marcos Chor Maio, Rio de Janeiro, RJ

Há décadas a Associação Scholem Aleichem e suas antecessoras vêm desempenhando um importante papel na preservação das melhores tradições da cultura e da arte do povo judeu. Foi além, quando vigorosamente combateu nas ruas, ao lado de outras forças políticas brasileiras, o anti-semitismo e o nazi-fascismo que grassavam no mundo e avançavam no Brasil, quando se bateu abertamente pela paz e o progresso, pelo entendimento entre povos e nações. Há ainda que se resgatar um fato histórico: embora não sionistas, as forças progressistas judaicas do Brasil defenderam a criação e saudaram a independência do Estado de Israel. Tendo como porta-voz e leitura obrigatória o Boletim ASA - referência da imprensa judaica progressista - as correntes progressistas lutam hoje pela cessação imediata do conflito entre Israel e os palestinos, pelo fim da ocupação e das ações terroristas, pelo respeito às resoluções da ONU, pelo reconhecimento internacional e dos países envolvidos de fronteiras seguras, em favor da criação de um Estado palestino, laico e democrático, que possa conviver pacificamente com Israel. Sempre cultivando as tradições de cultura e de justiça social que marcaram a trajetória milenar do povo judeu, onde quer que estejamos.
Max Altman, São Paulo, SP

"Parabéns" por há 15 anos, em todos os boletins, não terem mudado nem um ponto ou vírgula da postura "progressista", que não parece ter entendido o "regressismo" da esquerda. "Parabéns" pelos 15 anos enxovalhando o Estado de Israel. "Parabéns" pelos 15 anos que não viram além do umbigo, que não deram parabéns a outras correntes, nem voz a outras vertentes que não as próprias. O "Basta", sub-boletim internáutico da ASA, foi a hora de ver mesmo que basta! Basta de não terem se incomodado nem um pouquinho com o que a esquerda fez em Cuba, nem procurado melhores caminhos para os judeus da Rússia. Basta da postura low-profile que essa magnífica equipe assumiu, como se por trás dos bastidores não soubéssemos dos dissidentes. Quinze anos prestigiando bandolins, pandeiros, o diabo a quatro. Corais da China e violões do Japão. Tambores da Palestina, tambores da Paz. Quinze anos sem tocar em judaísmo, criticando, criticando, criticando. Agora que os 15 anos se passaram, acabou a adolescência. Já é hora de pensar em crescer. Já ficaram grandinhos para começar a enxergar. Que tal refletir em judeus sem Israel? A mala agora irá para onde? França, Itália, Grécia, Canadá, Rússia? Estados Unidos não, pois a alergia continua. Brasil, caros amigos, se não anda por Tel Aviv, não é na São Clemente que vai parar. Quando completei 15 anos, todos disseram: juízo! Repito a saudação para vocês: juízo, equipe Boletim!
Silene Balassiano, Rio de Janeiro, RJ

Resposta da editora, jornalista Sara Markus Gruman - A seção "Cartas" do boletim ASA acolhe todo tipo de opinião. Destempero e prepotência não mereceriam resposta, não fosse a necessidade, por questão de honestidade e justiça, de corrigir erros factuais e inverdades. Não "enxovalham" o Estado de Israel, muito pelo contrário, nomes como Aba Eban, Iossi Sarid, Iossi Beilin, Uri Avneri e Shimon Peres, entre tantos outros que já tiveram espaço neste Boletim. ASA, diz o expediente, é o órgão informativo e de divulgação cultural da Associação Scholem Aleichem e, como todo veículo vinculado a uma instituição, é para as atividades dela que dá prioridade. Sobre Cuba, a leitora encontrará dois artigos de Renato Mayer, em ASA 11 e ASA 67. O êxodo dos judeus da União Soviética (e não apenas "da Rússia") foi um processo iniciado antes de o primeiro número deste Boletim vir à luz e, se encontraram os "melhores caminhos", não foi, certamente, graças à orientação de nenhuma instituição judaica do Rio. Mas, se a leitora tem um carinho especial por assuntos relacionados com a URSS, pode ler os artigos de Boris Schnaiderman (ASA 21) e Nachman Falbel (ASA 77) a respeito do assassinato de intelectuais judeus por Stalin. Infelizmente, "tambores da Palestina", "corais da China e violões do Japão" ainda estão fora do alcance da ASA (e não do Boletim ASA, como confunde a leitora), mas o Boletim acompanhou a grande satisfação com que a ASA recebeu em seu auditório, ao longo dos últimos anos, os corais Vozes da Wizo, de Naamat-Pioneiras, da ARI, do ICIB-Instituto Cultural Israelita Brasileiro(SP), do Centro de Cultura de Israel (SP), da Associação David Frischman (Niterói), Coral Israelita Brasileiro e Angeles y Malachines. O Coral da ASA apresenta-se em instituições judaicas sempre que convidado, com um repertório de músicas em português, hebraico, ladino, ídish e inglês, entre outras. Bandolins e pandeiros são parte inseparável da cultura popular brasileira (que é a cultura do nosso país) e continuarão a ser prestigiados, assim como a ASA prestigia o Grupo Zemer, divulgador de uma das vertentes da música judaica, o clézmer, e que já se apresentou duas vezes para o auditório lotado da ASA. Passaram ainda pelo palco da ASA, com o devido registro neste Boletim, o Longa Florata, o hazan Oren Boljover e o Quadro Cervantes, todos interpretando canções em ladino. "Tambores da Paz" podem ser ouvidos nos textos de entidades pacifistas israelenses publicados neste Boletim, sendo o último deles a transcrição dos trechos mais relevantes da palestra que Yael Dayan, a vice-prefeita de Tel Aviv/Yafo, proferiu no dia 20 de junho, no Colégio Brasileiro de Cirurgiões (ASA 89). A vinda de Dayan ao Rio foi um patrocínio conjunto da ASA, Congregação Judaica do Brasil, Hashomer Hatzair e Amigos Brasileiros do Paz Agora. A leitora mirou o umbigo errado. Entre muitas dezenas de artigos exclusivos, este Boletim já regalou seus leitores com textos de Alberto Dines, Moacyr Scliar, Jacob Dolinger, Pejsach Tabak, Sérgio Margulies, Nilton Bonder e Henry Sobel, convidados porque têm uma contribuição a dar. Provocar reflexão, debate, reflexão, debate - existe algo mais judaico? - este é o objetivo de ASA. Como disse, acertadamente, Paulo Geiger, quando viu os ânimos exaltados no auditório superlotado da ASA durante uma programação sobre o conflito palestino-israelense, não adianta brigar, porque nós, aqui, não vamos resolver o problema da paz lá. Finalmente, ufa!, a mala. O Brasil é um país livre. Todo cidadão tem o direito de decidir sobre seus caminhos. Não cabe a este Boletim traçar roteiros - de negócios, lazer ou fuga. Quem quiser, que procure as companhias aéreas e agências de viagens. O boletim ASA, com todas as suas limitações, esforça-se para contribuir para o debate sadio das questões que afligem particularmente o nosso ishuv e sobre as quais o consenso passa longe. Sem preconceitos. Com respeito. E equilíbrio. 

 

ASA, 40 anos

Em nome do ICUF-Argentina lhes estendemos a nossa fraternal e mais calorosa saudação pelos 40 anos de trabalho institucional. Não duvidamos de que o trabalho cultural, social e ideológico durante todo este período foi mais do que frutífero e que a luta pela paz, por uma sociedade justa, pela fraternidade entre todos os seres humanos, pela amizade entre os povos e pela construção de um mundo que mereça ser vivido por todos em plenitude, liberdade e democracia foram o norte de suas atividades, assim como foi o mandato deixado por nossos antecessores. Com a certeza de que continuaremos juntos e na convicção de que, como judeus latino-americanos, devemos ser partícipes ativos dos processos de emancipação de nossos povos, recebam o mais forte abraço de irmãos e o melhor dos votos neste novo aniversário.
Marcelo Horestein, secretário, e Daniel Silber, presidente do ICUF, Buenos Aires, Argentina

O Instituto Cultural Israelita Brasileiro - ICIB, de São Paulo, se soma aos votos de congratulações pela passagem dos 40 anos de atividades ininterruptas da Associação Scholem Aleichem, do Rio de Janeiro. Nossos mais sinceros e profundos votos para que sempre possamos, enquanto entidades irmãs, atuar conjuntamente e em perfeita sintonia nas lutas pela paz, pela cidadania e pela construção de uma sociedade democrática e mais justa. Muita força e muito sucesso sempre.
Marina Sendacz, presidente, São Paulo, SP

Der Bibliotec se confunde com memórias e afetos. A mãe me levando na Álvaro Alvim, o quadro da Revolta do Gueto me impressionando sempre, mais tarde os apertos fortes da mão do Moishe Niskier já setentão e orgulhoso de sua energia, as caminhadas na praia com o José Schneider, o homem que sabia histórias, inclusive as de meu pai que não queria me contar - eram shif brider - e, nos últimos anos, batalhando o jornal, este meu vizinho tijucano, meu shif brider, o Jacques Gruman, que gosto de chamar de roiter sensível. Tivessem todos os roites , seja lá o que isto quer dizer , a sua sensibilidade e preocupação com os outros, e não teria havido nem Muro, nem queda, nem este mundo tão difícil de entender. Biz hundert und tsvontzik iur.
Paulo Blank, Rio de Janeiro, RJ

Em nome da diretoria do Museu Judaico e do meu próprio, tenho a prazer de saudar a ASA pelo transcurso dos seus 40 anos de existência.
Max Nahmias, presidente, Rio de Janeiro, RJ

 

Sugestão

Meus parabéns pela manutenção da qualidade do Boletim. Aproveito para fazer uma sugestão. Seria interessante que os leitores pudessem solicitar pela Internet textos que não se pode baixar do site. Gostaria, por exemplo, de receber o texto completo de Esther Kuperman, A trajetória da esquerda
judaica não-sionista carioca.
Fraim Hechtman, Rio de Janeiro, RJ

Nota da redação - Esta é uma boa idéia. A partir de agora, qualquer leitor pode solicitar o envio das matérias do Boletim pela Internet.


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