CANTO DA ROSA - Boletim ASA nº 69, mar-abr/2001

Alguém que sorria em silêncio

por Rosa Goldfarb / Especial para ASA

            A Biblioteca Scholem Aleichem-BIBSA era a extensão da minha casa. Hoje a ASA é a extensão da Biblioteca. Desde tenra idade - não tinha mais do que cinco anos - eu acompanhava meus pais em todos os eventos, inclusive os  rotineiros, que eram as reuniões na Biblioteca para resolver todos os assuntos, dos mais comuns aos mais sérios. Eu não perturbava os adultos: quando me aborrecia ou cansava, era só me acomodar numa das cadeiras e ali mesmo adormecer. Mas tinha que acompanhá-los.

            Não me lembro precisamente do ano em que conheci Josef Schneider. Ele era jovem, e eu, bem criança. Amigo e companheiro de ideologia de meu pai, Schneider era uma das presenças constantes em minha vida. Ao falecer o  meu pai, perdeu-se a distância cerimoniosa entre Schneider, der rôiter Iossl, o vermelho Iossl, e eu e uma grande e afetuosa amizade nos uniu. Passei a ter nele o referencial para as perguntas que não podia mais fazer ao meu pai.  Sua memória era prodigiosa. Nomes e assuntos que ele trouxe para o Boletim ASA me despertaram recordações cujos detalhes, posteriormente, juntos destrinchávamos. Conheci e vivenciei quase todas as suas histórias. Tenho na memória um quadro de Eternos. Schneider está entre os primeiros.

            Jacques Gruman, presidente da ASA, meu jovem amigo, filho de um grande amigo que tive e que se foi prematuramente, convidou-me para preencher neste Boletim o espaço em que Schneider escreveu suas Histórias da BIBSA, de janeiro de 1998 até março de 2000, quando faleceu. Sei que ele é insubstituível, mas talvez seu trabalho possa ser continuado. Contarei histórias da minha geração, fatos que, muito atenta, observei e tive o privilégio de registrar em minha memória.

            Sempre haverá alguém que esteve próximo e talvez sorria em silêncio.

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