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EDITORIAL - Boletim ASA nº 125, jul-ago/2010

Sinais de Alerta                                 

Participamos em junho, a convite do Centro Cultural Mordechai Anilevitch, de um debate sobre a mídia judaica no Rio de Janeiro. O Boletim ASA foi a única publicação institucional impressa convidada. Em duas mesas, estiveram representados informativos virtuais e impressos, num amplo painel sobre a circulação de notícias e opiniões voltadas para a comunidade judaica.

Chamou  atenção a pouca presença de público. Mesmo com ampla divulgação, houve escassos ouvintes para um tema cuja importância dispensa comentários. Isto levanta duas questões vitais: onde nasce a ruptura entre o que oferecem as instituições judaicas e o seu público-alvo, os judeus? Por que os jovens, mesmo aqueles que estudam ou estudaram em escolas judaicas, estão desinteressados de debater assuntos que, ao menos em tese, deveriam atraí-los?

Se as respostas fossem fáceis, estaria aberto o caminho para uma comunidade vibrante, ativa, plural, informada. Exceto em determinados nichos, não é o que se vê por aí. O nível de desinformação sobre cultura judaica, por exemplo, chega a ser, em alguns casos, alarmante. Não faz muito tempo, foi lançada uma coletânea de textos de um dos mais famosos escritores judeus, que dá nome a uma escola judaica de nossa cidade. O responsável pelo livro revelou que, dando uma palestra sobre o escritor nessa escola, percebeu, constrangido, que os alunos não tinham a menor ideia de quem se tratava.

Não se pode gostar daquilo que não se conhece. Sem gostar, não há identidade. Sem identidade, os espaços coletivos tornam-se supérfluos. Talvez um bom primeiro passo para se criar/ampliar um público leitor para a mídia judaica seja contar melhor a história dos judeus no Rio, uma história rica de significados. Esta, entretanto, não é uma tarefa que se esgota nos bancos escolares, para onde se costuma empurrar a responsabilidade. Ela passa pelas famílias e pelo trabalho de lideranças comunitárias, muitas vezes mais preocupadas com afirmação social (desprezando as raízes) ou construção de laços políticos que levam apenas a benefícios pessoais.

Que ninguém se iluda. Ignorar esses sinais de alerta só agravará o esvaziamento já em curso.
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