| Porto Alegre - Boletim ASA nº 123, mar-abr/2010 |
Airan Milititsky Aguiar / Especial para ASA
O Clube de Cultura foi fundado em 30 de maio de 1950, a fim de criar um espaço para atividades artístico-culturais que não encontravam acolhida nos lugares já consagrados da cidade de Porto Alegre. A iniciativa foi de catorze ativistas político-culturais, judeus não sionistas. Alugaram uma casa na Rua Ramiro Barcelos, onde o Clube formou um coral e realizou diversas palestras e atividades. Decidiram comprar o terreno e construir uma nova sede com salas para diversos usos, além de um auditório. Vendo que não seria fácil pagar o terreno e os custos das obras, tiveram a idéia de fazer um condomínio, e parte da construção abrigaria a sede do Clube de Cultura. Assim, a atual sede foi inaugurada em 1958. Após inaugurada, a sede foi palco de inúmeras atividades. O Clube comemorou seu aniversário em 1961 com Elis Regina. O CPC apresentou o Auto dos 99%, texto que embalava as discussões sobre a reforma do ensino. P.F. Gastal deu força ao Clube de Cinema na sede do Clube de Cultura junto a um dos fundadores. Jacob Koutzii, imigrante da Bessarábia e autodidata, foi pioneiro na crítica cinematográfica assinando suas criticas sob o pseudônimo de Plínio Moraes. Em 1962, o Clube abriu suas portas a todos os cidadãos. Formado novo grupo de teatro próprio, encenaram A prostituta respeitosa, de Sartre. Nos embalos do novo ritmo brasileiro, organizou o espetáculo Bossa 64. Com o advento do golpe militar, o quadro social, marcado por um corte de esquerda, entra em pânico. O Clube se manteve na ativa por coragem de quatro dos antigos diretores: Hans Baumann, Henrique Scliar, André Paulo Franck e Salomão Schwartz. O símbolo da resistência era erguido mais uma vez, denunciando o regime de exceção. A comemoração do Levante do Gueto de Varsóvia em 1964 deveria contar com a participação do então deputado federal Leonel Brizola. Da organização deste ato é lavrada a última ata no livro original de atas da Diretoria. Vastamente adulterado, foi reescrito em um “novo livro de atas da Diretoria”, a fim de não deixar “rabo preso” para a repressão. Nos anos 60 ainda funcionou a Frente Gaúcha de Música Popular, formada por jovens que buscavam romper com as cadeias da indústria cultural alienante. Nos anos 70, Gerbase e Furtado organizaram oficinas de cinema quando ainda jovens faziam cinema por “diversão” Airan Milititsky Aguiar,historiador, é vice-presidente do Clube de Cultura.
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