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EDITORIAL - Boletim ASA nº 122, jan-fev/2010

Brincando com fogo                                 

Os brasileiros estão muito preocupados com as questões ambientais. Certo?

Errado. Durante a recente Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas, realizada em Copenhague, o Datafolha divulgou o resultado de uma pesquisa segundo a qual apenas 5% dos brasileiros consideram as mudanças climáticas um grave problema mundial (atrás, por exemplo, da AIDS, com 8%). Desinteresse ou desinformação?

Dados científicos robustos mostram as consequências funestas para o planeta da elevação da temperatura. Lóbis poderosos, entretanto, localizados especialmente nas áreas industrial e do agronegócio, pressionam contra medidas que reduzam os efeitos dos gases estufa. São eles que tornam duvidosa a implementação do que foi negociado em Copenhague.

Dois desafios surgem neste limiar de século. Além das mudanças climáticas, há o cada vez mais grave problema social. O mundo patina em números traumáticos. Cerca de 25 mil pessoas morrem diariamente de fome ou causas correlatas. Quase 1 bilhão e 500 milhões sobrevivem com menos de US$ 1,25 diários, limite da linha de pobreza. Os desempregados já ultrapassam 220 milhões. Como planejar o desenvolvimento econômico, conciliando proteção da natureza e dignidade humana?

Isto é possível no modo de produção hegemônico no mundo? Se o rumo não for mudado, as pragas lançadas contra os egípcios (entre as quais, várias sugerem desastres ambientais), segundo a tradição do Pessach, parecerão um inocente exercício minimalista.

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Continua ensurdecedor o silêncio sobre a proibição de construção de minaretes na Suíça. Proposta por um partido fascista, foi aprovada em plebiscito e escancara uma tendência agressiva contra os muçulmanos. Onde estão os que protestam contra o racismo e a xenofobia quando é o seu calo que doi? Enquanto os suíços servem ao mundo um chocolate amargo, tudo se passa como se nada se passasse.

Lamentável.

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A diretoria da ASA deseja a seus sócios e amigos um 2010 de acolhimento, solidariedade e respeito. Que, juntos, sejamos protagonistas de uma jornada rumo a um mundo melhor.

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