Beco da mãe -Boletim ASA nº 122, jan-fev/2010

Novas luzes em tablóide

Henrique Veltman / Especial para ASA

                

“Novas luzes para um velho povo.” Este era o lema do jornal Menorah, que circulou no Rio de Janeiro, em 1960. Era um tabloide produzido por um grupo de jovens jornalistas da comunidade. Arnaldo Niskier, Zevi Ghivelder, Eliahu Chut, Moysés Fuks, Paulo Adolfo Aizen, Ariel Wainer z’l, Helio Kaltman z’l e Henrique Veltman.

Para levantar fundos que permitissem a edição do jornal, promoveu-se uma sessão especial no cinema Alvorada, na Rua Raul Pompeia, com um filme de Sacha Guitry, gentileza de Alberto Shatovski. Houve um único orador nessa sessão, o senador Aarão Steimbruch, e bonitas garotas da comunidade venderam muitas assinaturas do Menorah que ainda iria surgir.

Com o dinheiro arrecadado, algumas edições ficaram garantidas, e o primeiro número trouxe uma reportagem especial, diretamente de Jerusalém, enviada pelo Zevi. A diagramação foi obra do Cervera, que era da Bloch, e todos os clichês foram um presente pessoal do Samuel Wainer (Última Hora).
A primeira edição, impressa nas oficinas do Diário Carioca, foi empacotada e encaminhada aos assinantes depois de uma madrugada numa sala da Editora Brasil-América, a Ebal. O patriarca, Adolfo Aizen, encontrou a garotada fazendo pacotes e proferiu a sentença: “Jornalista não faz embrulho, jornalista escreve.” Anos depois, o Jaguar fez a sua versão, hoje clássica, “Intelectual não vai à praia, intelectual bebe”.

Depois de vários números, sempre com grande repercussão na comunidade, os jornalistas, por absoluta falta de tempo ‒ eram quase todos recém-casados ‒,  entregaram o Menorah ao Grupo Universitário Hebraico. Pouco tempo ficou com a entidade, e, finalmente, o último  dos fundadores, Moysés Fuks, “vendeu” o jornal ao José Gomlevski z’l.

Ele mudou o formato e o conteúdo de Menorah. A revista que hoje circula,dirigida pelo filho Ronaldo, nada tem a ver com a Menorah daqueles jovens jornalistas que produziram um marco na história da imprensa judaica brasileira.

 

Henrique Veltman, carioca, 71 anos, casado, jornalista, sociólogo e torcedor do América, é colaborador deste Boletim.

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