| EDITORIAL - Boletim ASA nº 119, jul-ago/2009 |
Um novo começo? Dois discursos agitaram a sempre movediça cena política do Oriente Médio. No primeiro, o presidente norte-americano Barack Obama, falando na Universidade do Cairo, reiterou que a aliança entre EUA e Israel é “inquebrantável” e condenou todas as formas de antissemitismo. Em seguida, numa guinada importante com relação a seu antecessor, mencionou as humilhações vividas pelos palestinos nas terras ocupadas por Israel, considerou ilegítima a política de expansão dos assentamentos israelenses e defendeu a criação de um Estado palestino independente. Quebrando um dogma, dirigiu-se ao Hamas como parte da nação palestina e o conclamou a reconhecer o Estado de Israel. Dias depois deste pronunciamento, que muitos analistas consideraram histórico, o primeiro-ministro israelense Biniamin Netaniahu mandou seu recado na Universidade Bar-Ilan. Mesmo levantando severas restrições e usando uma linguagem negacionista (não falou do “povo palestino”, mas da “população palestina”), admitiu, pela primeira vez, a hipótese de criação de um Estado palestino. Verdade que seria uma entidade emasculada, sem, por exemplo, controle das fronteiras por terra, mar e ar. No entanto, como disse o jornalista Gideon Levy, “outro pequeno tijolo foi removido das barricadas da ocupação: um líder da direita apoia a reivindicação nacional palestina”. Claro que há muitas pedras no caminho. Em que medida Obama estará disposto a sair da retórica e exercer, concretamente, pressão para que Israel se alinhe com a nova diplomacia norte-americana? Enfrentará os lóbis internos contrários a essas mudanças? Netaniahu, cujo gabinete tem forte influência de grupos ligados aos colonos, mudou realmente ou fez apenas um discurso acomodador? Se mudou, terá força política para negociar com Obama sem gerar uma crise interna? A opinião pública de seu país não tem dúvida: de acordo com pesquisa do Institute for National Security Studies, 64% dos judeus israelenses são a favor da solução “dois povos, dois Estados”. |
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