| Antissemitismo - Boletim ASA nº 118, mai-jun/2009 |
Cresce o preconceito
O número de incidentes antissemitas na Europa só no primeiro trimestre do ano superou o total de 2008. O ataque das forças israelenses a Gaza e a crise financeira mundial foram os gatilhos para o recrudescimento, de acordo com relatório apresentado pelo presidente do Congresso Judaico Europeu, Moshé Kantor, durante sessão do Parlamento Europeu dedicada ao assunto. Ainda no final do ano passado, a organização judaica Liga Anti-Difamação (ADL, sigla em inglês), dos Estados Unidos, informava sobre um aumento significativo de mensagens antissemitas pela internet relacionadas com a falência do banco de investimentos Lehman Brothers e de outras instituições afetadas pela crise do subprime. No vizinho Uruguai, não avançaram as investigações para identificar os autores do atentado da madrugada de 12 de janeiro, quando dois coquetéis molotov foram lançados contra a fachada da Associação Jaime Zhitlovsky, em Montevidéu. Numa nota para este Boletim, a Zhitlovsky observa que o atentado coincidiu com a invasão de Gaza, mas que esta não pode servir de justificativa, uma vez que, para a instituição, “o caminho para a almejada paz entre Israel e os palestinos não se faz por meio das armas” e a saída é criar dois Estados para os dois povos e condenar o terrorismo, venha de onde vier”. O imóvel onde funciona a instituição não tem guarita, câmeras de segurança nem vidros. Apenas um cartaz indica que ali uma instituição judaica reúne crianças, jovens e adultos “para atividades culturais, recreativas e sociais com o objetivo de transmitir os valores da cultura judaica, a solidariedade, o progressismo e a paz”. Comunicado oficial da Zhitlovsky declara que o atentado é “consequência de mentes intolerantes e covardes, que introduzem “doses de violência e irracionalidade típicas de mentalidades fascistas”. A França − que tem a maior comunidade judaica da Europa −, a Holanda, a Bélgica e a Grã-Bretanha registraram um aumento no número de incidentes antissemitas. O presidente da organização representativa dos judeus na França (CRIF), Richard Prasquier, citado pelo jornal israelense Haaretz, insinuou que a violência antijudaica é instigada pela relativamente grande comunidade muçulmana originária do norte da África. Na Hungria, no entanto, embora “a comunidade muçulmana seja quase inexistente”, o antissemitismo assume as feições clássicas “do período entreguerras”, segundo o líder da comunidade judaica, Peter Feldmeier, também citado pelo Haaretz. De 1˚ de dezembro de 2008 a 13 de janeiro de 2009, a ADL entrevistou 3.500 adultos distribuídos igualmente entre Hungria, França, Áustria, Polônia, Alemanha, Espanha e Reúno Unido. Quase a metade considera que os judeus são mais leais a Israel do que aos países de origem. Do total pesquisado, 23% disseram que sua opinião sobre os judeus é influenciada pelas ações do Estado de Israel. Destes, 58% reconhecem que essa opinião piorou. Quarenta por cento acreditam que os judeus têm excesso de influência no mundo dos negócios e das finanças. “Esta pesquisa confima que o antissemitismo permanece vivo nas mentes de muitos europeus”, declarou o diretor da ADL Abraham Foxman. A propósito do caso financeiro que levou à prisão de Bernard Madoff, ele declarou que “os judeus são sempre um bode expiatório conveniente em tempos de crise, mas o escândalo Madoff e o fato de que muitos investidores enganados são judeus criaram uma agitação perfeita para os antissemitas”.
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Aumento drástico na Europa Assaf Uni / Haaretz
O número de incidentes antissemitas na Europa nos três primeiros meses deste ano excede o total de ocorrências similares em todo o ano de 2008. O anúncio foi feito pelo presidente do Congresso Judaico Europeu (CJE), Moshé Kantor, durante uma sessão do Parlamento Europeu em Bruxelas dedicada ao tema do antissemitismo no continente. O informe do CJE cita a reação à operação das Forças de Defesa de Israel em Gaza, em janeiro, como um dos principais gatilhos para os ataques antissemitas contra comunidades judaicas na Europa. Além disso, a atual crise financeira está contribuindo para reforçar os velhos estereótipos antissemitas que sugerem “o controle judaico do sistema financeiro global”. O líder da comunidade na Finlândia, Rony Smolar, disse que os 25 mil judeus que vivem nos países escandinavos sofrem repetidas hostilidades devido ao seu apoio a Israel. “A opinião pública associa Israel com a comunidade judaica local, o que nos transforma em inimigos”, afirmou, acrescentando que seu país vê “um aumento dramático” no número e na seriedade dos ataques antissemitas. Segundo Smolar, coquetéis molotov têm sido arremessados contra sinagogas, e cemitérios judaicos na Suécia e na Noruega têm sofrido vandalismos. Ele citou também um tiroteio no qual dois israelenses foram feridos na Dinamarca. “Quadrinhos vinculando a Estrela de Davi à suástica se tornaram lugar comum na Escandinávia.” Richard Prasquier, o líder da organização que representa a comunidade judaica na França, também apontou um incremento nos incidentes antissemitas. “A França é o lar da maior comunidade judaica e da maior comunidade muçulmana na Europa”, declarou, sugerindo que a comunidade imigrada do norte da África é a maior responsável por instigar a violência antissemita e que os políticos europeus têm se esquivado de acusar os muçulmanos pelos ataques contra os judeus. Uma organização de direitos humanos afirmou na mesma sessão que o aumento do antissemitismo tem sido denunciado na Holanda, Bélgica, França e Grã-Bretanha e que as razões do fenômeno precisam ser estudadas. O líder da comunidade judaica na Hungria, Peter Feldmeier, observou que em seu país a comunidade muçulmana é quase inexistente e que o antissemitismo continua apresentando as insinuações históricas, “conforme as conhecemos no período entre guerras”. Feldmeier agitou a cópia de um jornal de ampla circulação afiliado a um partido de extrema-direita. Na primeira página, um político húngaro ostenta uma fictícia Estrela de David amarela e o jornal exige que o político admita as suas raízes judaicas.
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