EDITORIAL - Boletim ASA nº 117, mar-abr/2009

Liberdade                                 

A ASA tem organizado celebrações de Pessach dentro da tradição laica do judaísmo. O grande tema desta que é a mais popular das festas judaicas, a liberdade,  não é uma dádiva da natureza, mas consequência de lutas e sacrifícios. Os próprios hebreus, ao saírem do Egito, tiveram dúvidas se valia a pena serem homens livres. Pediram a Moisés para retornar ao domínio do faraó: lá, ao menos, tinham comida, cama e um dia seguinte previsível. Bateu o medo do desconhecido, e não foi nada fácil fazê-los quebrar os grilhões internos. Levou quarenta anos para que surgisse uma geração capaz de se construir em liberdade.
           O público tem aceito muito bem os nossos sedarim. Existe uma demanda por atualizar os significados da muitas vezes secular cultura judaica. Este ano, inovaremos aumentando a interatividade e apostando na comunhão com a memória afetiva.
            Nem sempre, porém, somos bem compreendidos. Como disse uma importante judia polonesa, “liberdade é sempre e exclusivamente a liberdade daquele que pensa diferente”. Ignorando isso, já houve quem tentasse censurar, com base na ortodoxia religiosa, a denominação “laica” que damos às nossas celebrações. Percebemos a mesma intolerância na agressividade com que alguns leitores, felizmente poucos, reagiram à nossa posição sobre o recente ataque israelense à Faixa de Gaza.
            Outra passagem importante na história do Pessach é a que sugere que todos devemos nos sentir como se também tivéssemos saído do Egito. Não é apenas um apelo à memória, mas um chamado para que sejamos solidários no desejo de liberdade. Não apenas a liberdade formal, consagrada em códigos legais, mas aquela que respeita as incontáveis diferenças da tribo humana.

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            Dinheiro público mobilizado para salvar empresas privadas da ruína, socialização dos prejuízos e privatização dos lucros, perspectiva de 51 milhões de novos desempregados no mundo em 2009, xenofobia em alta, investimentos em queda. A “marolinha” promete muitas emoções este ano.

 

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