Scholem 80 anos - Boletim ASA nº 116, jan-fev/2009

Para sempre Scholem

Esther Kuperman / Especial para ASA

May you grow up to be righteous,
May you grow up to be true,
May you always know the truth
And see the lights surrounding you.
May you always be courageous,
Stand upright and be strong,
May you stay forever young.

Trecho de Forever Young,de Joan Baez

Poderia ter sido mais um encontro dos ex-alguma coisa, ou da Turma de 19..., bem ao estilo daquelas festas americanas que promovem o reencontro dos alunos de alguma escola ou universidade. Mas não foi. Porque reunir gente que estudou no Colégio Israelita Brasileiro Scholem Aleichem não é fazer com que antigos colegas de turma se encontrem, mas juntar pessoas que fizeram parte de uma história e participaram de uma experiência pedagógica verdadeiramente transformadora.  Esse era o Scholem,  lugar onde aprendemos a olhar e sentir o mundo. Não era uma escola: era um modo de viver.
Ainda nos lembramos das aulas de Ídish, e de Ídishe Gueshihte (História Judaica). Nelas aprendíamos como falam e o que tinham feito os judeus. Porque estando em um colégio laico, aprendíamos a ser judeus pela cultura e memória. Mas, mesmo falando das coisas da nossa aldeia, não vivíamos no gueto, porque éramos também cosmopolitas, e nosso ponto de vista não foi forjado apenas nas aulas das matérias judaicas. No Scholem fomos apresentados à ciência, à prosa, à poesia e passamos a ser cidadãos do mundo.

Os professores sabiam que suas aulas faziam parte da construção desta identidade. Cada matéria era vista como parte da obra. Na verdade, era como se o Scholem fosse uma grande orquestra, que tocava afinada porque todos – professores, alunos, pais, funcionários - acreditavam na música. E ali também estava o regente: lérer Genes.

Na noite de primeiro de novembro, estávamos quase todos lá, no salão da Hebraica. Voltamos para rever e dizer o quanto tudo que aprendemos com eles foi bom e importante e nos ajudou a traçar as linhas da vida. Estávamos quase todos lá, para festejar nossos professores e nosso diretor. Nós que nos reencontramos agora − engenheiros, professores, médicos, pesquisadores, comerciantes, pais, mães, artistas plásticos, psicanalistas, tradutores, etc. − estamos em todos os lugares, cada um no seu ofício, mas somos o que nos ensinaram no Scholem.

Conseguimos reunir todos os nossos mestres e nosso diretor para dizer que ainda sabemos o que nos transmitiram. Juntamos nossas lembranças para fazer uma homenagem a eles, a nós e a um outro tempo. Mas, ao recuperar esta memória, trouxemos de volta o próprio Scholem. Resgatando  idéias e valores, mostramos que a história não acabou e que o tempo do Scholem não ficou no passado, mas está na nossa vontade e no presente.

Shalom kinder!
Shalom lérerque Etel!

Esther Kuperman é professora e colaboradora de ASA .

 

“É indiscutível que a festa do SCHOLEM trouxe uma carga um tanto ou quanto concentrada de emoções, de alegrias incontidas e de adrenalina. Sob certo aspecto foi uma 'tortura' psicológica, um desafio para as nossas mentes, nossos olhos e nossos corações. Fomos subitamente levados ao passado, como num trem em alta velocidade, para a época dos grandes encontros, de questionamentos, das grandes descobertas e, certamente, de alta taxa hormonal!
Parece que fomos parte experimental da Teoria da Relatividade, de Einstein, onde o tempo se dilata e o espaço se contrai.”
 Rubens Szczerbacki

 

“Acho o mundo que a internet nos abriu verdadeiramente fascinante, pois juntar centenas de pessoas em uma comemoração que começou despretensiosa (quanto ao número de participantes, não quanto ao esforço dos organizadores!) e criar todo um "clima" anterior ao dia da festa, isso é muito facilitado pela comunicação virtual. Que se materializou em uma enxurrada de emoções! Quantos reencontros! Quantas histórias! E quanta gente ainda sabe de cor a frase que a lérerque Etel nos fazia decorar ("tsvichn Ásie un Áfrike ligt der Arábisher mídbar")!
O Scholem foi uma parte importante da minha vida e da minha formação. Pensar que quase ao final da 3a série ginasial me mudei para Copacabana e continuei a ir todo dia, de ônibus, de manhã cedinho, para a Tijuca, até me "formar" no ginásio (naquela época o Scholem ainda não tinha "científico" nem "clássico") só me remete ao amor e aconchego que encontrava lá. 
Foi um tempo muito feliz.”
Eliane Pszczol (à época, Felzenszwalbe)   

 

“Somos todos moldados por nossas memórias, único  patrimônio que nem o tempo apaga... ainda que o enevoe, o embaralhe um pouco. Nosso, único, a ser levado para nossos túmulos. Quando temos a felicidade de poder compartilhá-las, revivenciá-las, celebrá-las com outros personagens de nossas histórias, temos então a prova inconteste de que nossa breve passagem pela vida deixou marcas, que não se extinguirão com cada um de nós.
Isso foi o que representou para mim esse momento único da festa do Scholem, no sábado. Obrigada a todos que estiveram lá, que fizeram esse encontro existir.
Desde a primeira idéia, até onde essa vida pode nos levar...”
Ester Jablonski

 

“A festa culminou com a homenagem ao diretor, que completara 89 anos de vida, a maior parte dela dedicada de todo o coração àquela escola, ginásio e colégio! Uma vida compartilhada com muita gente, com muita humildade e ao mesmo tempo responsabilidade e firmeza de propósitos! Esse foi o evento! Essa foi a festa que ecoou e até agora ecoa em nossas lembranças e corações abatidos pela felicidade de rever tanta gente importante para nossas vidas! Saudações senhor Scholem Aleichem! Saudações professor Genes! Saudações lérerque Etel e demais professores presentes ao evento! Saudações colegas e amigos – os que consegui encontrar e os que não! Saudações àqueles que já se foram, mas que certamente estavam lá presentes e sentindo as mesmas emoções que nós! Seu Silvério, botafoguense doente! Seu Pedro e Dona Chiquinha! Dona Inadiá! Dona Etelvina, nossa inspetora de ônibus! Dona Mina! Professor Garson! Abel! Emir Amed! Dona Nilcéa, minha querida professora de Teatro! Lerer Berzon! Lererque Basse! Morá Sarah! Dona Nadir!
Que esse momento se perpetue ao longo de nossas vidas!
Não nos afastemos! Vamos de mãos dadas!!!”
 Natan Guterman

 

 

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