| Scholem 80 anos - Boletim ASA nº 116, jan-fev/2009 |
Para sempre Scholem Esther Kuperman / Especial para ASA May you grow up to be righteous, Trecho de Forever Young,de Joan Baez Os professores sabiam que suas aulas faziam parte da construção desta identidade. Cada matéria era vista como parte da obra. Na verdade, era como se o Scholem fosse uma grande orquestra, que tocava afinada porque todos – professores, alunos, pais, funcionários - acreditavam na música. E ali também estava o regente: lérer Genes. Na noite de primeiro de novembro, estávamos quase todos lá, no salão da Hebraica. Voltamos para rever e dizer o quanto tudo que aprendemos com eles foi bom e importante e nos ajudou a traçar as linhas da vida. Estávamos quase todos lá, para festejar nossos professores e nosso diretor. Nós que nos reencontramos agora − engenheiros, professores, médicos, pesquisadores, comerciantes, pais, mães, artistas plásticos, psicanalistas, tradutores, etc. − estamos em todos os lugares, cada um no seu ofício, mas somos o que nos ensinaram no Scholem. Conseguimos reunir todos os nossos mestres e nosso diretor para dizer que ainda sabemos o que nos transmitiram. Juntamos nossas lembranças para fazer uma homenagem a eles, a nós e a um outro tempo. Mas, ao recuperar esta memória, trouxemos de volta o próprio Scholem. Resgatando idéias e valores, mostramos que a história não acabou e que o tempo do Scholem não ficou no passado, mas está na nossa vontade e no presente. Shalom kinder! Esther Kuperman é professora e colaboradora de ASA .
“É indiscutível que a festa do SCHOLEM trouxe uma carga um tanto ou quanto concentrada de emoções, de alegrias incontidas e de adrenalina. Sob certo aspecto foi uma 'tortura' psicológica, um desafio para as nossas mentes, nossos olhos e nossos corações. Fomos subitamente levados ao passado, como num trem em alta velocidade, para a época dos grandes encontros, de questionamentos, das grandes descobertas e, certamente, de alta taxa hormonal!
“Acho o mundo que a internet nos abriu verdadeiramente fascinante, pois juntar centenas de pessoas em uma comemoração que começou despretensiosa (quanto ao número de participantes, não quanto ao esforço dos organizadores!) e criar todo um "clima" anterior ao dia da festa, isso é muito facilitado pela comunicação virtual. Que se materializou em uma enxurrada de emoções! Quantos reencontros! Quantas histórias! E quanta gente ainda sabe de cor a frase que a lérerque Etel nos fazia decorar ("tsvichn Ásie un Áfrike ligt der Arábisher mídbar")!
“Somos todos moldados por nossas memórias, único patrimônio que nem o tempo apaga... ainda que o enevoe, o embaralhe um pouco. Nosso, único, a ser levado para nossos túmulos. Quando temos a felicidade de poder compartilhá-las, revivenciá-las, celebrá-las com outros personagens de nossas histórias, temos então a prova inconteste de que nossa breve passagem pela vida deixou marcas, que não se extinguirão com cada um de nós.
“A festa culminou com a homenagem ao diretor, que completara 89 anos de vida, a maior parte dela dedicada de todo o coração àquela escola, ginásio e colégio! Uma vida compartilhada com muita gente, com muita humildade e ao mesmo tempo responsabilidade e firmeza de propósitos! Esse foi o evento! Essa foi a festa que ecoou e até agora ecoa em nossas lembranças e corações abatidos pela felicidade de rever tanta gente importante para nossas vidas! Saudações senhor Scholem Aleichem! Saudações professor Genes! Saudações lérerque Etel e demais professores presentes ao evento! Saudações colegas e amigos – os que consegui encontrar e os que não! Saudações àqueles que já se foram, mas que certamente estavam lá presentes e sentindo as mesmas emoções que nós! Seu Silvério, botafoguense doente! Seu Pedro e Dona Chiquinha! Dona Inadiá! Dona Etelvina, nossa inspetora de ônibus! Dona Mina! Professor Garson! Abel! Emir Amed! Dona Nilcéa, minha querida professora de Teatro! Lerer Berzon! Lererque Basse! Morá Sarah! Dona Nadir!
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