| EDITORIAL - Boletim ASA nº 115, nov-dez/2008 |
“A intolerância religiosa vem crescendo em nosso país. Já foram registrados diversos casos de ataques às religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé. Seus sacerdotes vêm sendo agredidos, sua religiosidade difamada em veículos de comunicação. Estudantes têm sofrido constrangimento e recebido ensinamentos com imposição curricular de outro credo. Episódios extremos de vandalismo, invasão e demolição de templos, terreiros e casas-de-santo tornaram-se rotineiros”. Este é um trecho do folheto que convocou uma caminhada em defesa da liberdade religiosa, no dia 21 de setembro, na orla do Leme e de Copacabana. Sensível à defesa das liberdades públicas e na linha do diálogo com segmentos da comunidade negra, a ASA se colocou desde o primeiro momento a favor da caminhada. Mais do que isso: por meio de seis mil e-mails, ajudou a divulgá-la, convocando a comunidade judaica a aderir à manifestação. Ao lado da FIERJ, que participou da coordenação, foi a única instituição da nossa comunidade a tentar mobilizar os judeus cariocas para o evento. O resultado, infelizmente, foi desanimador. Alinhados atrás de uma faixa da FIERJ, poucos judeus marcharam pela liberdade religiosa. Entre eles, nenhum rabino, nenhuma representação das escolas judaicas, pouquíssimos jovens. A omissão é preocupante. A aliança com setores discriminados pela sociedade é fundamental para se montar uma barreira contra todas as formas de intolerância. Como construí-la se, quando convocados, os judeus e suas entidades se ausentam? Que valores estão sendo ensinados aos nossos jovens, que parecem não enxergar as conseqüências do isolamento?
-x-x-x-x-x - No dia 10 de novembro de 1938, uma operação em larga escala contra os judeus da Alemanha resultou em mais de mil sinagogas destruídas, inúmeras lojas saqueadas, trinta mil judeus deportados para campos de concentração e noventa e um mortos. Foi a Noite de Cristal, que está completando setenta anos. Não basta lembrar. É preciso criar condições sociais, políticas e econômicas que anulem a tentação fascista, que, infelizmente, não acabou em 1945. |
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