| EDITORIAL - Boletim ASA nº 113,jul-ago/2008 |
Hotel Sheraton, 2005. Uma festa promovida pela FIERJ comemora o 57º aniversário do Estado de Israel. Entre os convidados, a então governadora Rosinha Garotinho. O presidente da Federação, em nome da comunidade judaica, saúda a governadora e, referindo-se claramente às denúncias de irregularidades que pesam sobre o governo estadual, afirma que “os cães ladram e a caravana passa”. Com a bênção do guarda-chuva institucional de todas as entidades judaicas do Rio, passa um cheque em branco a uma autoridade sob investigação, alegando ser ela uma “boa pessoa”, além de “amiga dos judeus”. Maio de 2008. A Polícia Federal faz operação de busca e apreensão na casa do ex-governador Anthony Garotinho e, simultaneamente, prende o ex-secretário de Segurança de Rosinha, deputado estadual Álvaro Lins (mais tarde solto). São acusados de formação de quadrilha, montada entre 2000 e 2006, quando os Garotinho se revezaram no Executivo estadual. Principais crimes apontados: dar cobertura a grupos de contraventores (especialmente os que exploram máquinas caça-níqueis) e lotear delegacias policiais, transformando-as em arrecadadoras para campanhas eleitorais. O deputado Lins também é suspeito de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. De acordo com a imprensa, a ex-governadora teria conhecimento do esquema. A gestão Rosinha foi marcada por escândalos e práticas políticas condenáveis. Propinoduto, denúncias do Ministério Público Estadual e do TRE, suspeita de participação do jogo do bicho na campanha eleitoral, propaganda enganosa das obras do governo. Nuvens muito carregadas, que sugeriam ao menos cautela de um dirigente comunitário. Tudo isso mostra o perigo da promiscuidade entre uma instituição comunitária, plural por natureza, e o poder público. A pretexto de manter boas relações com políticos influentes, compromete-se a indispensável neutralidade institucional frente a partidos políticos e governantes. Nada contra regras cordiais de convivência e tratamento respeitoso. Tudo contra tornar a comunidade judaica refém de políticos “amigos” e identificá-la, em bloco e sem consulta, com personalidades e/ou grupos partidários. O resultado, como estamos vendo agora, pode ser desastroso. |
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