Cartas - Boletim ASA nº 112, mai-jun/2008


Cartas

O cotidiano do israelense não tem nada de amargura e ironia [“Uma brasileira em Tel Aviv”, Esther Kuperman, ASA 111]. Todos aqui são doces, gentis, generosos, se divertem talvez mais, com mais segurança do que na maior parte do planeta. Do que no Rio de Janeiro, com certeza absoluta. A qualidade de vida em Israel supera em muito quase todos os lugares. Crianças de 8 anos podem ir à escola sozinhas, de ônibus! Os bares e restaurantes das cidades grandes, como Haifa e Tel Aviv, ou menores, como Naharia e Hertslia, estão repletos todas as noites. As "crianças" que fazem segurança são profissionais treinados, diferentemente dos pseudo-seguranças de s lojas/shoppings/restaurantes no Brasil em geral, no Rio em particular. A historiadora deve estar viajando pouco, senão já teria percebido que não só o israelense vive grudado no celular, como também o espanhol, o francês, o argentino. Na maior parte do mundo civilizado, praticamente não se usam mais telefones fixos. E o que é "radinho"? Quando eu era pequena (tenho hoje 54), as pessoas andavam grudadas com "radinho" no ouvido. Na era do MP3/i-Pod/walkman etc., ninguém precisa incomodar o próximo com "radinho". O "radinho" só pode ser ligado no carro, que como todo mundo sabe, é um lugar bem pessoal. De fato, nos ônibus ouve-se rádio, às vezes alto, às vezes nem tanto, mas é divertido. E, com sorte, dependendo do gosto musical do motorista, ouve-se até música clássica! Sobre o tratamento dado aos brasileiros, ao contrário do que parece ter acontecido com a historiadora, que se sentiu vítima de preconceito, sempre que me ouvem falar na rua, seja com alguém, seja ao celular (!), me perguntam se é português, porque adoram a música da língua. Nunca a língua portuguesa foi confundida com russo. Talvez a historiadora tenha andado com as pessoas erradas, nos lugares errados. E o melhor da sociedade israelense é que ninguém se incomoda com a marca do seu carro, com a grife que você veste, com o tamanho da sua televisão ou o tamanho da sua casa. Vivo aqui há quatro anos, e até agora só tive experiências positivas. Talvez eu seja uma pessoa de sorte, talvez só queira perceber o lado bom de um país/pessoas que me receberam de braços abertos. De todo jeito, da próxima vez que a historiadora vier a Israel, me disponho a levá-la para conhecer o Israel que eu conheço.

Muito obrigado pelo texto “O caminho é o diálogo” (Jacques Gruman, Boletim ASA 110, janeiro- fevereiro de 2008)

Rebeca Burchtein, Tel Aviv, Israel

 

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