| Os números - Boletim ASA nº 112, mai-jun/2008 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Israel por dentro Jacques Gruman / Especial para ASA
População (2007): 7.243.700 (5.342.100 judeus, 1.449.700 árabes, 451.900 outros). Índice de alfabetização: 97,1% (Brasil: 88,4%; EUA: 99%). Expectativa de vida ao nascer: 79,59 anos (Brasil: 72,24 anos; EUA: 78 anos). Taxa de mortalidade infantil: 6,75 mortes/1.000 crianças nascidas vivas (cerca de um quarto da taxa brasileira; equivalente à taxa norte-americana). Índice de desemprego: 7,6%. Renda per capita: US$ 28.800 (cerca de três vezes maior do que a brasileira e trigésima-oitava do mundo). Ciência e Tecnologia: Israel tem alguns centros de pesquisa científica acadêmica de alta qualificação, em áreas tão distintas como Medicina, Engenharia Genética e Informática. No Technion, em Haifa, fundado em 1924, a Faculdade de Engenharia Elétrica está entre as 15 melhores do mundo e a de Ciências de Computação, Tecnologia e Engenharia, entre as 40 melhores. O Instituto Weizmann, em Rehovot, fundado em 1934, possui um dos melhores corpos docentes do mundo. Agricultura: Num país onde a água é escassa, a agricultura precisou desenvolver-se em condições extremamente adversas. Mesmo assim, com processos de alta tecnologia e reciclagem intensa de água, a mobilização de apenas 2% da população gera toda a produção agrícola doméstica. Israel exporta quase US$ 1,5 bilhão em produtos agrícolas (cerca de 3% das exportações totais em 2006). Gastos militares: Em 2007, Israel se tornou o quarto maior exportador de armas do mundo, superado apenas por Estados Unidos, Rússia e França. Estima-se que 7,3% do Produto Interno Bruto sejam mobilizados para gastos militares. Entre 1967 e 2005, o orçamento militar dobrou. O programa nuclear israelense virou um segredo de polichinelo, ou seja, não é mais segredo para ninguém. Especialistas militares calculam que o país tenha cerca de 200 bombas atômicas, produzidas em Dimona. Israel não é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear e, por não admitir ter um arsenal nuclear, não aceita inspeções internacionais. Principais parceiros comerciais: Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial de Israel. Respondem por 12,4% das compras anuais externas israelenses e importam 38,4% das vendas anuais externas. A Bélgica vem em seguida (8,2% e 6,5%, respectivamente). Desequilíbrios econômicos e sociais: Como em qualquer economia capitalista, a renda israelense é concentrada e os desequilíbrios sociais são visíveis. Quase um quarto da população (24,1%) vive abaixo da linha da pobreza. A proporção era de 17,6% em 2000. Mais de um terço (34,1%) das crianças, cerca de 738 mil, são pobres. Estes números crescem desde 2000. Na população árabe, o quadro é mais grave. Cerca de 60% das crianças árabes vivem em famílias pobres. Esta situação tem piorado pela ação combinada da revolta nos territórios palestinos (que demanda crescentes gastos militares) e de medidas econômicas neoliberais implantadas a partir da década de 1990 (que eliminaram parte da rede estatal de proteção social criada nos primórdios do Estado). Embora a renda per capita israelense seja elevada, sua distribuição é muito desigual. As 19 famílias mais ricas concentram um terço do faturamento das 500 maiores empresas israelenses. A renda anual destas famílias equivale a 88% do orçamento do país. Territórios ocupados: Os territórios palestinos ocupados por Israel na guerra de 1967 são um foco permanente de crise e incerteza para o Estado judeu. Desde aquele ano, Israel construiu 135 colônias na Cisjordânia. Dezesseis outras, implantadas na Faixa de Gaza, foram desmanteladas em 2005. Dezenas de postos ilegais, alguns com tamanho de assentamentos, se espalham em território palestino (o Ministério do Interior não os reconhece como assentamentos). Desde 1969, nunca cessou a implantação das colônias, mesmo durante o chamado Processo de Oslo. Nenhum governo, de direita ou centro-esquerda, demonstrou intenção de congelar a expansão das colônias. Nos territórios ocupados há dois sistemas de leis, um para israelenses, outro para palestinos. Segundo o B’Tselem – Centro Israelense pelos Direitos Humanos nos Territórios Ocupados, os direitos de uma pessoa são definidos por sua origem nacional. Ninguém pode circular nas áreas conquistadas em 1967 sem permissão formal do governo israelense. Eis como evoluiu a população judaica nas colônias implantadas depois de 1967:
*Inclui os arredores (64 km2) Além da migração doméstica, as colônias absorvem anualmente cerca de mil novos judeus que vêm de fora de Israel. O número de colonos judeus em terras palestinas cresceu 5,1% em 2007 (três vezes mais do que o crescimento geral da população israelense). Não existem números precisos, mas se estima que o custo anual das colônias para o governo israelense seja de US$ 556 milhões. Imigração/emigração: Cerca de metade dos israelenses nasceu fora do país. Estatísticas divulgadas pela Agência Judaica mostram que pouco mais de 3 milhões de judeus imigraram para Israel desde 1948. Há também, no entanto, um fluxo em sentido contrário. De acordo com o Ministério da Absorção de Imigrantes, cerca de 700 mil cidadãos israelenses emigraram (aí incluídos 14 mil técnicos de elevada qualificação que saíram entre 1978 e 2000, buscando melhores oportunidades). A maioria mora nos Estados Unidos. Desde 1999, o número de imigrantes que chegam a Israel tem caído continuamente. Em 2007, foi o menor em 18 anos. Zeev Bielsky, diretor da Agência Judaica, declarou para a Rádio do Exército de Israel que o país se tornou “um destino menos atraente para imigrantes”, e que “os judeus da Diáspora têm hoje menos razões para abandonar seus países de origem”. Kibutz: Outrora símbolo de um projeto socialista para Israel, os kibutzim mudaram seus princípios e representam hoje minúscula parcela da população israelense. Ao contrário dos primeiros tempos, contratam mão-de-obra de fora, especialmente palestinos e tailandeses. O primeiro kibutz foi fundado em Degania, em 1909, por Joseph Baratz e mais nove homens e duas mulheres. Em 1940, havia 82 kibutzim, com 26.500 membros. Em seu apogeu, na década de 1960, o movimento kibutziano representava 7% da população israelense. Seus membros eram respeitados e tinham forte representação na Knesset (parlamento), com mais de 15% do total de parlamentares. Hoje, 116 mil pessoas, cerca de 2,1% da população judaica, moram em 270 kibutzim. Mesmo com participação demográfica tão modesta, os kibutzim são responsáveis por um terço da produção agrícola total e 6,3% dos bens manufaturados. A idade média da população dos kibutzim é de 30 anos (25,8 anos em 1989). Árabes israelenses: No final do Mandato britânico, em 1947, viviam na então Palestina 1,3 milhão de árabes. O êxodo provocado pela guerra de independência de Israel (por razões controversas) deixou apenas 170 mil deles no nascente Estado de Israel. Eles se tornaram cidadãos israelenses, com o mesmo direito de voto que a população judaica e, de acordo com a Declaração de Independência, com garantia de igualdade social e política. Sem, entretanto, uma Constituição que regulamentasse os direitos, estes nunca foram integralmente respeitados. As instituições do novo Estado foram desenhadas para facilitar o crescimento da população judaica, o que colidiu freqüentemente com a população árabe. Terras árabes foram confiscadas para abrir caminho para imigrantes judeus, ajuda econômica externa foi e é concentrada em projetos e empreendimentos da população judaica, há restrições ao acesso em determinadas rodovias e à compra de terras para os árabes, destinam-se menos recursos orçamentários para as cidades, vilas e aldeias árabes. Árabes e judeus estudam em escolas separadas (as árabes estão, geralmente, em pior estado e recebem menos recursos). À exceção da população drusa, os árabes são excluídos do serviço militar, que, em Israel, tem grande peso social. As desigualdades e a permanente crise palestina criaram um clima azedo entre as populações judaica e árabe (os membros desta costumam definir-se como cidadãos palestinos de Israel). Relatório anual da Associação pelos Direitos Civis de Israel divulgou uma pesquisa preocupante: 55% dos entrevistados judeus apoiavam a idéia de que o Estado deve estimular a emigração árabe e 78% eram contrários à inclusão de partidos políticos árabes no governo. Um estudo da Universidade de Haifa apontou que 74% dos jovens judeus entrevistados pensam que os árabes são “sujos”. De acordo com esta mesma pesquisa, 48% dos judeus entrevistados não querem viver perto de árabes e 25% dos árabes não querem viver perto de judeus. Religiosos ortodoxos defendem publicamente posturas antiárabes. O rabino Dov Lior, presidente do Conselho Rabínico Yesha (ligado aos colonos que ocupam terras palestinas) e rabino-chefe de Kiriat Arba, emitiu uma regra haláhica onde se declara proibido empregar árabes ou alugar casas para eles. Jacques Gruman, é diretor da ASA e colaborador do Boletim. |
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