Amizade ou interesse?
Moti Inbar/ Especial para ASA
Passaram-se 40 anos desde que o navio-espião americano Liberty foi atacado por Israel durante a Guerra dos Seis Dias. O pouco que se sabe sobre o caso, no qual morreram mais de 30 tripulantes, é suficiente para esclarecer o tema mais amplo de que trata este artigo: a estrutura das relações entre Estados Unidos e Israel. É necessário lembrar algumas evidências básicas, sem as quais o mesmo não será compreendido:
1. O Oriente Médio é a região mais importante do mundo. Conclusão:
a) Quem domina o Oriente Médio, domina o mundo.
b) Nenhuma superpotência pode permitir que outra domine a região.
c) Toda superpotência que não a domina tenta penetrá-la atiçando conflitos entre seus habitantes.
d) Não é possível falar de paz e estabilidade na região.
2. A chave para o domínio sobre o Oriente Médio é a região entre o mar e o Vale do Jordão.
Conclusão: Em nossos dias, o Estado de Israel é a chave para o domínio da região (e, conseqüentemente, do mundo). Daí a necessidade de cada superpotência de dominar Israel e impedir que outra o faça. O único caminho que possibilita tal domínio é o atiçamento da guerra e do ódio entre Israel e seus vizinhos!!!
3. Dois países só podem ser aliados na medida em que tenham força igual. Conclusão: Entre um país comum (como, por exemplo, Israel) e uma super-potência (por exemplo, EUA) não pode haver uma aliança de iguais.
4. Em política, não há sentimentos, há interesses.
Conclusão: Talvez este princípio devesse ser o primeiro, uma vez que todo aquele que tenta analisar ou entender uma estrutura de relações políticas como se fosse uma história de amor e ódio ao gênero Romeu e Julieta se complica. Na mesma medida, um estadista ou líder que tenta dirigir seu país somente baseado em princípios (ou paixões e ódios), não é um líder.
Ao fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, os impérios britânico e francês dominavam 85% do planeta e, apesar da vitória sobre a Alemanha, saíram enfraquecidos do conflito, tendo início a sua decadência política e econômica. Duas novas superpotências − EUA e União Soviética − lentamente substituíram os impérios anteriores no domínio do mundo. Este processo começou logo após o fim da guerra (1945) e chegou a uma estabilidade clara no período de 1953 (quando Gamal Abdel Nasser fez a revolução no Egito) a 1956 (ano das revoluções na Polônia, Alemanha Oriental e Hungria e da Guerra do Suez).
Era um conflito velado. De um lado, Inglaterra e França tentavam cada uma preservar seus domínios, de outro, EUA e URSS tentavam abocanhar partes sob influência das potências dominantes. Como simultaneamente deu-se um processo aberto de disputa entre as duas novas potências, a Inglaterra tentou aproveitar-se da situação para obter o apoio dos EUA.
Um dos exemplos mais gritantes foi a evidência de que o Ministério das Relações Exteriores britânico tentou vender aos EUA a idéia de que todos os judeus são “vermelhos”. Portanto, num conflito entre o Oriente e o Ocidente, os judeus apoiariam a URSS e os árabes (amigos dos ingleses), o Ocidente. Esta é uma das explicações para a hostilidade do presidente Roosevelt em relação aos judeus e a sua recusa a ajudá-los antes e durante a guerra (os EUA negaram-se, por exemplo, a explodir os fornos crematórios de Auschwitz, apesar da pressão de Churchill).
Também a “arma-petróleo” contribuiu para que a Inglaterra atraísse os EUA para o seu lado, contra os judeus. No final dos anos 1940, as maiores e mais importantes fontes de petróleo do mundo − Iraque e Pérsia − estavam sob domínio inglês.
No final da guerra, e logo após ser eleito pela quarta vez, Roosevelt faleceu e Truman, seu vice, tornou-se presidente. Era uma situação delicada. Primeiro, porque, novo no Poder Executivo, o ex-senador por Missouri, um estado considerado pouco importante, era uma personalidade desconhecida nos meios governamentais. Segundo, havia chegado ao cargo em conseqüência de um incidente (a morte de Roosevelt) e não por seus próprios méritos ou suas qualidades (ou seja, através de uma vitória eleitoral). E terceiro − evidência descoberta posteriormente −, era um homem de princípios políticos. Em outras palavras, havia coisas nas quais acreditava e pelas quais lutava, e mudar suas convicções para obter ganhos nunca passara por sua cabeça. Ele preferia perder a mentir para si mesmo.
Nos primeiros anos não houve mudanças na política americana. Porém, aos poucos, percebeu-se que era possível atingir a Inglaterra via ajuda econômica aos países europeus (Plano Marshall).
Com a proximidade das eleições de 1948, Truman queria provar a si mesmo que poderia ser presidente por seus próprios méritos e não por um incidente. Necessitava, então, de toda ajuda de qualquer grupo, e se não fosse possível ter apoio de determinado grupo de eleitores, pelo menos não deveria irritá-lo e jogá-lo nas mãos de seus adversários.
Aqui entra em ação a Organização Sionista, que une o sentimento de culpa dos países cristãos − por sua atitude na Segunda Guerra Mundial em relação ao sofrimento de seus irmãos judeus da Europa − e os judeus nos Estados Unidos (não só os sionistas) para incentivar Truman a modificar a posição do governo americano em relação aos judeus em Israel.
Tal jogo de forças não fugiu aos olhos de Stálin. Criou-se uma situação estranha (que seria ridícula se não fosse trágica), em que judeus foram implacavelmente perseguidos e assassinados na URSS por serem judeus, enquanto na política externa os discursos eram os mais sionistas jamais ouvidos da boca de representantes oficiais daquele regime.
Se a tentativa russa de se aproximar do sionismo fortalecia a alegação dos ingleses de que todos os judeus eram “vermelhos”, por outro lado, havia o fato de que nenhuma potência podia permitir a outra potência inimiga entrar no Oriente Médio.
Sendo o objetivo de Truman atingir os ingleses com delicadeza, foi proposta a criação de uma comissão anglo-americana para investigar o conjunto das pendências com a Europa e a situação em Érets Israel.
Para sorte dos judeus, os ingleses, contra sua própria tradição, agiram de forma precipitada e empurraram o problema para a ONU, na esperança de que o conflito entre Oriente e Ocidente torpedeasse a solução. O resultado é conhecido: o plano de Partilha e a expulsão dos ingleses de Érets Israel.
É necessário assinalar um fenômeno muito interessante: em 1947, quase todos os países do mundo civilizado se posicionaram numa estranha frente em favor dos judeus. Ilusão grosseira, torpedeada pelos ingleses e aceita pelos árabes em sua propaganda até hoje: aquela não era uma frente pró-sionista, mas uma frente anti-inglesa!!!
Os interesses americanos e russos são claros. Ambos querem herdar da Inglaterra o domínio sobre o Oriente Médio. A França apoiava o plano de fuga e a Hapalá (imigração dita ilegal) de forma quase incompreensível. Por exemplo, durante a grande greve de todos os meios de transporte na França, em 1946, os sindicatos permitiram que trabalhadores franceses furassem o movimento para ajudar os judeus a fugir embarcando no porto de Marselha e assim irritar os ingleses. E cada país da Europa que tinha contas a acertar com a Inglaterra encontrou uma forma de fazê-lo através dos judeus. Embora para nós pouco importe o motivo da ajuda, não podemos fechar os olhos às verdadeiras razões.
A Inglaterra foi expulsa de Érets Israel, porém nem judeus nem árabes pensavam, por um momento sequer, em trocar um país colonialista por outro. Portanto, tumultos e batalhas pesadas eclodiram entre os dois povos, com Inglaterra e França apoiando abertamente os árabes, enquanto EUA e URSS mantiveram uma atitude neutra, de firme não-intervenção.
Aqui é necessário explicar a política francesa. Os franceses ajudaram os judeus na Hapalá e no contrabando de armas para poderem mais tarde se apresentar como “responsáveis” pelo surgimento do país. E, por precaução, ajudaram também os árabes, principalmente com armas, para mostrar que eram “neutros”.
Na véspera da saída do exército britânico de Érets Israel, o ishuv local decidiu (após muita hesitação) declarar a criação do país com base na resolução da ONU sobre a partilha. Portanto, judicialmente, o ishuv estava sobre uma terra segura.
Por outro lado, não se podia ignorar a pressão gigantesca exercida pelos americanos sobre os líderes do ishuv no sentido de não proclamarem a criação do país e deixar que a situação fosse tratada indiretamente pela ONU, isto é, pelos EUA.
Foi Ben Gurion quem “enganou” os americanos com um jogo diplomático fora de série, de tal forma que não restou a Truman outra alternativa senão concordar com o fato. E foi assim: estava em Tel Aviv, naquela época, uma delegação comercial soviética para debater temas econômicos, principalmente, a venda de armas. Na véspera da declaração de independência, Ben Gurion perguntou ao chefe da delegação qual seria a reação da URSS (ou seja, de Stálin) se os judeus declarassem sua independência baseados na resolução da ONU. E pediu que a resposta, se possível, chegasse na sexta-feira 15 de maio de 1948, em torno das 16h30. Apesar do mandato britânico expirar em 16 de maio, perto do meio-dia, ninguém pensou que haveria uma atividade judaica no shabat. Ben Gurion tratou de fazer vazar para os americanos o conteúdo da conversa. Como na sexta-feira, às 16 horas, declarou-se a criação do Estado, foi a URSS a primeira a reconhecer o novo país. E novamente cuidou-se para que os americanos ficassem sabendo (Stálin queria manter a informação em sigilo para ver que direção tomavam os fatos).
A conseqüência foi óbvia: os americanos, temendo empurrar os judeus mais e mais para os braços do Oriente, não só se apressaram em reconhecer o novo país como foram os primeiros a enviar um diplomata. É interessante destacar que a posição de Truman resultou muito mais de sua grandeza como estadista que do aconselhamento com seus assessores, que temiam uma crise internacional do petróleo e uma reação das forças econômicas americanas pela perda de mercados no mundo árabe. Mais tarde, os americanos justificaram sua atitude com a falsa alegação da força eleitoral e econômica dos judeus americanos. Alegação que persiste até hoje, mas que, em termos práticos, não é confiável.
Durante a guerra de 1947-48, os americanos mantiveram uma neutralidade radical e evitaram ajudar qualquer um dos lados, seja com equipamentos de guerra ou com ajuda humanitária.
Terminada a guerra, a URSS parou de ajudar os judeus, pois o Estado de Israel se negou a fazer parte do bloco comunista, enquanto os ingleses estavam ativos ao lado dos egípcios. A Força Aérea Inglesa, a partir de bases no Canal de Suez, atacou forças do Tsahal (Exército israelense), que derrubou cinco aviões. Os corpos dos pilotos foram devolvidos diretamente à Inglaterra. Naquele instante, Washington advertiu Israel de que o prosseguimento das batalhas seria interpretado como uma declaração de guerra aos EUA e, para amenizar a situação, propôs uma ajuda econômica substancial.
A descrição acima mostra como era executada a política internacional e como eram as relações entre as potências e os países da região no pós-guerra. Por exemplo, nos anos 1950, era importante para os americanos garantir que Israel não passasse para o lado russo. Como Inglaterra e França não eram tidas como amigas de Israel e a URSS se mostrara claramente contrária ao país, parecia aos americanos que Israel estava “no bolso”, não sendo, portanto, necessários esforços especiais para garantir o posicionamento de Israel a seu lado. Além disso, os EUA sempre negligenciaram as queixas de Israel sobre a situação de nem paz-nem guerra com seus vizinhos. Nesse período, os americanos evitaram teimosamente vender armas a Israel e atrapalharam todo país que o tentasse. Canadá, Suíça e Suécia várias vezes estiveram a ponto de vender armas a Israel e voltaram atrás no último instante por pressão americana.
Isso não impediu que os americanos vendessem armas aos árabes. É verdade que de forma indireta, através da Inglaterra e da Arábia Saudita. Mas, evidentemente, Israel não era um país da preferência dos EUA.
Com tudo isso, os americanos não queriam empurrar Israel para os braços dos russos e, para evitar insatisfações, tentaram comprar Israel com doações, presentes e empréstimos em condições especiais.
Mais uma vez ocorreu uma mudança favorável a Israel, e a causa direta foi a atitude da URSS. Após a morte de Stálin, os novos líderes soviéticos renovaram as tentativas de entrar no Oriente Médio. Aproveitando o descontentamento de Nasser com os americanos (que haviam vetado um empréstimo do Banco Mundial para a construção da represa de Assuã), assinaram com o presidente egípcio um grande acordo de armas conhecido como Acordo Tchecoslováquia-Egito, em 1955.
Pode parecer estranho falar em mudança favorável, já que o acordo e as ações de Nasser causaram um enorme pânico em Israel. Para entender, segue a explicação. Os Estados Unidos não concordaram com a análise israelense dos fatos e Israel não teve como pressionar os americanos. Mas o comportamento dos russos levou Nasser a nacionalizar o Canal de Suez e, de súbito, surgiram dois aliados naturais para Israel: França e Inglaterra.
Não pretendo analisar o que aconteceu em 1956 em termos históricos (ou militares), nem discutir se o Egito tinha ou não direito de nacionalizar o canal. O que me interessa são os acontecimentos e a análise da estrutura das relações entre Israel e EUA. Portanto, as coalizões que surgiram naquele ano foram as mais estranhas − e nada naturais − que o mundo já conheceu. De um lado, EUA e URSS juntaram suas forças para dar o golpe mortal nas posições da França e da Inglaterra no Oriente Médio, e de outro, Inglaterra e França se uniram numa frente única (apesar do tradicional ódio mútuo), e mantiveram um acordo extra-oficial com Israel (apesar de a Inglaterra ter atacado Israel em 1948 e a França até então ter evitado qualquer tipo de ajuda a Israel). De repente, os EUA compreendem que Israel novamente logrou encontrar aliados e,em conseqüência, perdem parte de sua capacidade de pressão.
Numa observação à parte, podemos ver mais alguns detalhes estranhos. Na época da Guerra do Sinai (1956), deram-se fatos importantes na região de dominação russa na Europa Oriental. Na Hungria houve uma revolta. Forte pressão foi exercida sobre os EUA para se pronunciarem publicamente contra qualquer tentativa de repressão brutal. O governo americano se calou. Não apenas se calou como ficou “só” (sem a URSS) numa dura disputa contra Inglaterra, França e Israel.
Do ponto de vista internacional, parece ter havido uma divisão de tarefas. Os EUA deixariam a URSS livre para agir nas regiões sob sua influência, e esta permitiria o mesmo aos EUA nas suas. Isso num ano de eleições nos EUA!!!
No que diz respeito a Israel, algo chama muita atenção. Havia uma tentativa de pressionar a comunidade judaica americana a apoiar Israel contra a política anti-israelense de Washington. A resposta dos judeus americanos é mais do que fundamental: “Nós somos 100% cidadãos americanos e num conflito de interesses entre os dois países seremos sempre a favor do governo dos EUA.” É óbvio que não podiam dar outra resposta. Porém, a análise dos resultados eleitorais, principalmente em Nova York, mostrou a importância do voto judeu. Vem desse momento a tentativa de todo candidato à presidência dos EUA de fazer média em prol de Israel.
O pacto tácito entre França e Israel é uma prova a mais de tudo o que foi dito até aqui. A França, que até a Segunda Guerra era uma das duas superpotências, perdeu sua força em conseqüência da guerra e de mudanças na arena internacional. Aqui vemos a fantástica capacidade da nação francesa de, em momentos de grande crise, encontrar sempre um novo caminho não só para sobreviver como para tentar posicionar-se entre os primeiros no mundo.
Nesse estágio, foi o Mercado Comum Europeu que, em sua primeira versão, composta de seis países, caminhou lentamente rumo a uma aproximação maior e uma tentativa de lograr uma união completa (ou parcial) e de ampliar mercados através do ingresso de novos membros.
As relações especiais entre França e Israel serviriam como acelerador de tais idéias − através do fortalecimento da França fora do círculo europeu, onde os EUA possuíam uma forte capacidade de controle (através da OTAN) − e talvez como uma velada esperança dos líderes franceses mais velhos de voltar ao Oriente Médio, desta vez através de Israel.
Do lado israelense as ponderações eram mais simples. O relacionamento com uma potência detentora do direito de veto no Conselho de Segurança, pela primeira vez, dava a sensação de liberdade e livrava da dependência da contagem de votos. Ficava claro também que os EUA não gostariam de romper com um aliado tão importante no plano mundial. E mais: o temor de uma mudança na relação de forças com os países árabes passou do âmbito político para o econômico, quer dizer, não havia problema para conseguir muitos e importantes equipamentos militares, a questão era apenas se havia dinheiro para pagá-los. Sem mencionar que os contatos com a França permitiam a construção do reator atômico e a possibilidade de uma relação econômica mais estreita com a Europa Ocidental.
Esta foi a arma que, indiretamente, Israel usou contra os EUA. Ter Israel nas mãos como resultado da Guerra do Sinai foi a carta que a França usou em sua propaganda para vender armas no mundo. Afinal, graças ao armamento francês, os israelenses sobrepujaram o armamento mais sofisticado do mundo na época, o soviético, em poder do Egito.
Mais do que desagradar a árabes e russos, tal fato atrapalhou a venda de armas americanas, principalmente aos países da América do Sul. Dentro dos EUA cresceu a pressão por uma aproximação com Israel para neutralizar o êxito francês. Só assim podemos entender a profunda irritação dos franceses com Israel quando, nos anos 1960, Israel subitamente se aproximou dos EUA, comprando armas e mantendo relações econômicas preferenciais. Em relação ao reator, por pressão americana chegou a haver uma tentativa, fracassada, de transferir o processo nuclear de Israel e da França para a África do Sul.
Talvez seja correta a versão árabe de que, no período que antecedeu a Guerra dos Seis Dias, foram os americanos que, para se aproximarem, forneceram mapas estratégicos e secretos que permitiram a Israel penetrar facilmente no Egito e arrasar sua força aérea.
Conclusão: a importância de Israel dentro do Oriente Médio é o que melhor explica a atitude das potências, ao menos desde a Segunda Guerra Mundial. Não há como falar em ideologia de maneira alguma. Simplesmente parece uma briga de cães em que aquele que morde um pedaço de osso não consegue saboreá-lo, mas também não permite que outro o faça.
O apoio a este ou àquele lado nos últimos 50 anos é interessante. Nas épocas − é certo que relativamente curtas − em que não existiram conflitos, sempre houve alguém interessado em abrir fogo. Mais que isso, sempre que um corpo estranho à região apoiou um dos lados em qualquer conflito, houve a preocupação de mostrar ao outro lado que “eu não estou exatamente contra você”. Basta apontar o acordo Israel-Egito e os Acordos de Oslo. Dois acordos que hoje são tão óbvios e que, em sua época, pareciam milagres.
Moti Inbar, historiador, é especialista em História do Oriente Médio.
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