| Saudade - Boletim ASA nº 108, set-out/2007 |
Noemi Acselrad / Especial para ASA Em memória de Bertha Vitis Feferman
Foi-se
a nossa última heroína! A última de uma geração de mulheres
batalhadoras, imbuídas de um espírito de coletividade e
solidariedade humana, capazes de abrir mão de seus interesses
pessoais por um ideal. Com
o tempo, a AFIB dirigiu seu trabalho às crianças da comunidade
judaica local, visando proporcionar-lhes um convívio sadio em
contato com a natureza e a possibilidade de desenvolvimento social e
cultural. Surgiu Kinderland, e ali foi possível, através de
contato direto, uma original convivência entre diferentes gerações:
crianças e adolescentes, jovens monitores, instrutores, coordenação
e as famosas “senhoras da AFIB”. Foi aí que conheci dona
Bertha, e, ao longo de muitas décadas, mantivemos um contato
bastante rico, descobrindo interesses comuns para além do ideal
comunitário, inclusive vínculos familiares: era grande amiga de
dona Ita, minha sogra, e seus netos conviveram com meus filhos nas
temporadas de férias em Kinderland. As
idéias socialistas faziam parte do seu cotidiano, e dona Bertha
fazia questão de atribuir ao coletivo seus méritos e desempenhos
pessoais. O domínio da língua portuguesa naturalmente a conduzia a
funções de redação, revisões de textos e discursos. Homenageada
na Câmara dos Deputados, num reconhecimento pelo seu trabalho em
Kinderland, discursou de improviso e impressionou todos os presentes
com sua lucidez e sensibilidade, enaltecendo sempre o valor do
trabalho coletivo, dizendo-se apenas uma representante de um grupo. Por
ocasião dos seus 100 anos, uma bela festa foi organizada por
familiares e amigos. Várias pessoas fizeram uso da palavra,
inclusive ela própria, atribuindo sua longevidade à prática da
leitura como matéria e veículo do pensamento humano. |
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