| Saudade - Boletim ASA nº 108, set-out/2007 |
Marcos Gutman / Especial para ASA
A
capacidade de fazer amigos pelo jeito simples e humilde de conduzir
sua vida, a liderança natural sem imposições de idéias. O modo
tranqüilo de abordar seus pontos de vista, um sujeito discreto,
apesar da exposição, e o dom de utilizar a inteligência e o humor
como marca de sua imagem. O
não à beleza tradicional, o modo escrachado de se vestir (a eterna
camisa rasgada do Flamengo, com os braços para dentro), a
despreocupação com os conceitos e estereótipos de regras e normas
de conduta; isto feito de forma natural, sem a pretensão ou busca
de criar uma identidade ou tipo. Não
consigo lembrar uma única
vez em que ele estivesse envolvido em alguma briga ou discussão,
ele sempre foi o sinônimo de paz e
habilidade para participar de um grupo. Nós
fazíamos parte de um verdadeiro exército de amigos, alguns, sempre
mais presentes. Durante anos vivemos momentos inesquecíveis. Todos
os finais de semana em que não estávamos em Belo Horizonte, é
porque estávamos recebendo a turma em nossa casa no Rio, ou então
estávamos todos em São Paulo. Embora estudando em escolas e
bairros diferentes, além das viagens dos finais de semana, sempre tínhamos
os dias de futebol e dos diversos outros encontros nos cinemas e
shows. Aqueles
que imaginam um cara extrovertido, contador de casos e eterno
piadista, vão se decepcionar. O nosso Bussunda foi sempre discreto em suas atitudes (não confundam com o visual),
muitas vezes tímido para fora de nosso grupo, porém, sempre com a
capacidade e inteligência de se posicionar em relação não só às
brincadeiras mas a
todos os outros assuntos e temas que discutíamos. O
período em que mais estivemos próximos, de 1974 até 1984,
destacou-se por diversos movimentos e lutas pela liberdade de
expressão que
culminaram com o fim do regime militar e da censura;
juntos convivemos
com estes fatos e presenciamos grandes espetáculos culturais que
marcaram nosso futuro. Tivemos
uma grande adolescência, aprendemos juntos a viver em grupo,
respeitando a opinião da maioria, e desenvolvemos nosso futuro a
partir de uma experiência rica em exemplos positivos e distintos.
Faziam parte de nosso grupo cabeças e opiniões diferentes quanto
à religião, conceitos e culturas; não existia o certo ou o errado
e sim o respeito à vontade de cada um, desde que não prejudicando
a liberdade e o espaço do todo. Se
tivéssemos que, naquelas muitas reuniões e viagens que fizemos
juntos, tentar projetar o
futuro de cada um, nenhum
de nós poderia prever que o nosso Bussunda se transformaria no
grande fenômeno da mídia dos últimos
anos. Fantástica
a trajetória que ele traçou, utilizando a fórmula de um grupo de
amigos unidos − a experiência de
sua juventude, com diversão, prática de esportes, enfim,
crescimento − como um ideal profissional. O
Cláudio Manoel e o Marcelo “Madureira” podem se orgulhar de
terem participado desses dois momentos; eles viram, como nós, o Cláudio
se tornar o Bussunda da Kinderland, mas como ninguém mais
acompanharam a transformação dele nesse grande profissional e
homem que nos deixou há pouco mais de um ano. Em
2007 completamos 30 anos do auge de nossa Turma; tudo começou com
sua chegada a ASA, nas
peladas das quartas-feiras, o início de sua marcante passagem pela
Kinderland quando passou a ser conhecido como BUSSUNDA. Convido
todos a navegar no site www.blogdoscassetas.globolog.com.br,
onde há um texto do Bussunda de 30 de junho de 1995 publicado no jornal O
Estado de São Paulo. Vamos
conhecer, ou apenas
recordar, a capacidade de escrever com inteligência e humor de
nosso inesquecível Amigo. Marcos Gutman (Kiko),
economista, ex-colonista e ex-monitor da Kinderland, filho de José
Gutman, um dos sócios fundadores e ex-presidente da ASA. |
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