| Rosh Hashanah - Boletim ASA nº 108, set-out/2007 |
Alexandre Leone / Especial para ASA
Walter Benjamim, filósofo judeu alemão que morreu em 1940 em virtude da perseguição nazista, escreveu em uma de suas obras mais belas, Rua de Mão Única: “Se, como fez uma vez Hillel com a doutrina judaica, se tivesse de enunciar a doutrina dos antigos com toda a concisão, em pé sobre uma perna, a sentença teria de dizer: ‘A Terra pertencerá unicamente aos que viverem das forças do cosmos.’” Segundo ele, os homens modernos perderam há muito sua capacidade de viver e celebrar as forças do cosmos. O distanciamento da natureza, em virtude da matematização da vida e do encantamento com a tecnologia − esse fetiche, que criou uma “segunda natureza” virtual e simulada −, tem levado os homens de nossa época a se tornarem a cada dia mais incapazes de perceber a dimensão cósmica de sua vida. Essa incapacidade se manifesta, por exemplo, na substituição do tempo cósmico, que é o tempo da natureza, o tempo do corpo e o tempo da vida, por um outro tempo, morto e linear, dos relógios e do cotidiano. O tempo cósmico é o da renovação; o tempo morto, por outro lado, é o do estresse e da permanente busca pelo segundo que escoa e não volta. O tempo morto é o tempo da máxima de nossa civilização: “Time is money”. O tempo cósmico, por outro lado, é o da contemplação e da criação.
O mês de Elul, que está para
começar, é um ótimo momento no processo de preparação para as
Grandes Festas que virão. O shofar é tocado, neste mês, após
cada serviço matutino. De acordo com uma crença tradicional, Moshé
instruiu os israelitas no deserto a fazerem isso durante todo o mês
de Elul para que se lembrassem do pecado do bezerro de ouro que eles
cometeram enquanto Moshé estava no alto do monte Sinai recebendo as
segundas tábuas. O shofar é também, segundo a mística judaica,
um instrumento que tocamos para “acordar” nossa alma dormente.
Acordar a alma é o primeiro passo para a auto-renovação da vida. Leshaná tová ticatevu vetehatemu. |
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