EDITORIAL - Boletim ASA nº 108, set-out/2007


Morte e vida
                                 

         O governo norte-americano anunciou um pacote de ajuda militar maciça para seus aliados no Oriente Médio. Num prazo de dez anos, Israel receberá 30 bilhões de dólares (aumento de 25% sobre o fornecimento atual), o Egito, 13 bilhões, e os países do Golfo Pérsico, 20 bilhões (com especial destaque para a Arábia Saudita). A administração do presidente George Bush vai inundar de armamentos uma região instável, onde falta muita coisa, mas não armas de todos os tipos e procedências.
A legislação norte-americana determina que qualquer ajuda militar deve destinar-se exclusivamente à defesa e é proibida para países envolvidos num “comportamento persistente de violações de direitos humanos internacionalmente reconhecidos”. Nenhum dos países beneficiados atende estes requisitos.
         Sob o pretexto de se construir uma rede anti-Irã, esconde-se uma vasta operação de transferência de recursos dos contribuintes norte-americanos para a indústria bélica. Faz parte das obrigações dos países beneficiados adquirir cerca de 75% das armas com as grandes corporações norte-americanas, com linhas de crédito governamentais. Business as usual, num país que tem negligenciado os canais diplomáticos e cujo orçamento militar supera o de todos os outros 192 países do mundo reunidos.
         Estamos assistindo a uma nova corrida armamentista. Ninguém deve ter ilusões: mais armas significa menos chance de entendimento, mais apelo ao confronto, mais força para os militaristas e os sectários. Quem lucra são os mercadores da morte.


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         Com esta edição, o Boletim ASA completa dezoito anos. Desde o seu lançamento, em agosto de 1989, o Boletim segue uma linha editorial coerente e garantindo espaço para divergências, estimulando o diálogo. É reconhecido como um dos veículos de comunicação mais sérios dentro da comunidade judaica.
         No judaísmo, o número dezoito é associado à palavra hai (vida, em hebraico). Que a nossa publicação continue viva e criativa, informando e questionando neste perturbador início de século.


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         A diretoria da ASA e os colaboradores deste Boletim desejam aos leitores um 5768 estimulante. Sejamos protagonistas, nesta virada simbólica do ano novo judaico, de mudanças pessoais e coletivas, que nos aproximem dos ideais de paz, justiça e fraternidade. A gut ior! Shaná tová !

 

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