| A foto, a história - Boletim ASA nº 105, mar-abr/2007 |
Marcus Schorr / Especial para ASA
Em 1950, um grupo de jovens se reunia pela primeira vez na sede da BIBSA – Biblioteca Scholem Aleichem, na antiga Praça 11, em cima do cinema Centenário (poeira), para fundar o Departamento Juvenil e decidir quais seriam as suas atividades. Na foto de uma das reuniões apareço com um curativo na face e reconheço ainda Marcos Fuks, Moacyr Schorr, Szulim Majowka, Jacy Lerner, Abílio Schnaider. A memória me falha em relação a outros nomes. Estudei no Colégio Scholem Aleichem o primário e a seguir, por 5 anos, participei do ídish curs com o professor Tabak, aprofundando o estudo do ídish e da literatura judaica. Até hoje falo, leio e escrevo em ídish. Com este cabedal e a experiência de ter feito teatro amador sob a direção de Sergio Brito, aceitei assumir a direção cultural e em breve fundamos o grupo teatral juvenil. Enquanto as organizações sionistas pregavam a aliá, nós queríamos que os jovens tivessem um local central onde se encontrar, conviver, namorar e viver a cultura ídish. E, apesar de não termos atividades políticas, combater o anti-semitismo e propagar o movimento pela paz mundial era nossa meta. No sentido de preservar o patrimônio da biblioteca e nos dar experiência, éramos assessorados, junto à direção dos “mais velhos”, por Luiz Goldberg e Moszek Niskier . Durante a semana, nossa sede vivia animada com a leitura de livros (sob a orientação do inesquecível bibliotecário Moishe Bohm), torneios de pingue-pongue e xadrez, e a presença maciça dos jovens da “Ídishe Avenida”, duas vilas da Praça 11 habitadas quase exclusivamente por judeus. Aos sábados, aconteciam as “noites de arte”, ou bailes com orquestra que traziam os jovens dos grêmios de Olaria, Madureira, Niterói e Nilópolis ao nosso convívio. O grupo teatral formado por Salomão Zylbersztajn (ausente), Jacob Zalcman ( hoje morando em S.Paulo), Marcus Schorr, Jayme Moscovitsh, Palmira Sobel, Zlata Wizemberg (Abramovitz) e Dora Tacsir (Lachtermacher) coadjuvou o Dram Craiz ( Círculo de Teatro Ídish), nas peças A Faierlihe Acadêmie, no Teatro Recreio , Dervartung e Tife Vortslen, ambas no Teatro República, e todas sob a direção de Hersh Blank. Blank assumiu nosso grupo e nos dirigiu em Ven di zin veln cumen tsuric, encenada em Petrópolis, no Grêmio I.L.Peretz, onde − não posso esquecer − o público cantava junto “Tates, mames in di massn, veln tantsn in di gassn, ven di zin veln cumen tsuric” (Em massa, pais, mães dançarão nas ruas, quando os filhos voltarem). Em 1951, com o Teatro Recreio lotado no Segundo Festival da Juventude Israelita Brasileira, apresentamos Di Refue, em que, no papel de um velho judeu, eu falava e reclamava com Deus. Nesse festival participaram também os grupos teatrais do Cabiras, da Biblioteca David Frishman e do I.L. Peretz. O ano de 1951 foi rico para a BIBSA. Lançamos a revista mensal Esperança (Dervartung) para o íshuv , impressa em português e ídish , tendo como diretor Szulim (Saul) Majowka, redator Marcus Schorr e tesoureiro Moacir Schorr. Participamos da comissão de solidariedade aos três de nossos jovens que acabaram presos e processados após passeata em repúdio a Herbert Çukurs, assassino de 30 mil judeus de Riga durante a Segunda Guerra Mundial que se estabelecera no Rio, explorando o aluguel de barcos na Lagoa. No dia seguinte a nossa apresentação em Petrópolis, os jovens que haviam lotado o trem vindos de todas as agremiações fizeram memorável passeio e piquenique com muitos integrantes do ishuv da cidade serrana. Outro passeio memorável de que participamos colocou mil jovens no Lóide 17, uma espécie de iate com pista de dança e orquestra arrendado para um passeio a Paquetá ( na época, com ótimas praias), que marcou o início do Segundo Festival Israelita. Precedendo e em apoio ao festival, a BIBSA lotou o auditório da ABI com a Noite da Juventude, sob a direção de Marcus Schorr e Salomão Zylbersztajn e com a participação de Henrique Morelenbaum (maestro), Sarah Goldberg, Bora Tacsir, Sara Acselrad (Morelenbaum), Mauricio Nissenbaum (o Sherman da TV Globo), Elias Esquenazi, Helena Yavelberg (Buzack) e Manoel Lachtermacher (ausente) . A recordação, após 57 anos, é nostálgica, mas o meu, o nosso trabalho, me parece, foi frutífero. Em 1963, 18 não tão jovens fomos chamados a uma reunião na BIBSA , já na Cinelândia , para criarmos a ASA. Mas esta é outra historia que talvez eu escreva. Marcus
Schorr, médico e
professor universitário, é
sócio-fundador n˚
13 da ASA. |
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