Europa doente
Inquisição e expedições coloniais. No século vinte, duas guerras de grandes proporções, com quase 80 milhões de mortos e incontáveis feridos e mutilados. A Europa já foi epicentro de muita matança e de ódios que teimam em resistir. A máquina militar está hibernando, mas há armas venenosas em plena atividade no velho continente.
Sentimentos antijudaicos e islamofóbicos têm aflorado com persistência. Num dos mais recentes episódios de ódio aos judeus, cerca de 150 torcedores do Paris Saint-Germain, que enfrentara o Hapoel, de Tel Aviv, hostilizaram, insultaram e perseguiram um torcedor israelense, encurralando-o e ameaçando-o de agressão. Um policial francês, de origem africana, defendeu o israelense e, para evitar o pior, atirou e matou um dos torcedores do PSG. Os delinqüentes gritaram frases racistas e anti-semitas: “negro de merda” e “judeu asqueroso” eram parte do repertório. As agressões verbais contra jogadores estrangeiros, especialmente quando são negros, têm sido comuns em países como Itália, Espanha e Inglaterra. Jamais, entretanto, se havia chegado ao nível da violência de Paris. Parece que a presença de judeus em campo excitou os bárbaros.
A guerra contra os estrangeiros se reflete também numa crescente islamofobia. Pesquisa realizada na Inglaterra mostra que a maioria dos entrevistados se preocupa mais com imigração e raça do que com crimes, problemas econômicos e terrorismo. O fenômeno se espalha rapidamente pela Europa. De acordo com Milena Buyum, coordenadora da Associação Britânica contra o Racismo, “as organizações fascistas avançam na Europa (...) e os partidos de centro estão assumindo bandeiras destes movimentos”. Um especialista da Universidade de Oxford diz que os imigrantes não têm como se integrar, ocupam-se de funções subalternas nas sociedades, ficam com os piores empregos, não conseguem acesso à boa educação e moram em áreas segregadas. Embora as estatísticas mostrem que apenas parte residual das comunidades muçulmanas européias envolve-se em atividades terroristas, estas “justificam”, para o cidadão médio, a discriminação.
É urgente a formação de frentes políticas e culturais que combatam a discriminação. Esta é uma tarefa que pode – e deve - unir judeus e muçulmanos, vítimas dos que não toleram a diversidade.
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A diretoria da ASA deseja que, em 2007, o mundo dê passos em direção à harmonia e à criatividade, ao encontro e ao sorriso, à amizade e à despoluição.
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