EDITORIAL - Boletim ASA nº 103, nov-dez/2006


Precisa melhorar

            

           Em novembro, assumem o novo presidente da FIERJ, Sérgio Niskier, e os membros do Conselho 
Deliberativo. Ambas as instâncias, para as quais desejamos um bom trabalho, terão tarefas 
difíceis pela frente, mergulhadas que estão numa comunidade judaica pouco participativa.

           A ASA tem atuado discretamente no Conselho Deliberativo. Nosso relativo 
distanciamento se deve ao não atendimento, até o presente, de uma reivindicação básica: 
que a pauta das reuniões ordinárias seja dada a conhecer com, pelo menos, duas semanas 
de antecedência, para permitir que as entidades tenham tempo de debater internamente os 
temas e instruir seus representantes institucionais. Sem tal providência, estes 
representantes acabam apresentando opiniões meramente pessoais, sem chance de vocalizar 
as posições das entidades. Se o procedimento convocatório for corrigido, teremos condições 
de participar com melhores resultados.


           O sucesso dos planos do novo presidente do Executivo (ver entrevista ao lado) depende, 
em boa medida, de um Conselho Deliberativo fortalecido. É para lá que deverão convergir 
questões polêmicas, como a reengenharia da vida comunitária. Para que se aperfeiçoe o 
caráter democrático das decisões, é fundamental que as instituições se mobilizem 
internamente e, para isso, devem ser informadas, com suficiente antecedência, das 
questões que serão levadas a plenário. 

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            Duas notícias trazem grande preocupação para a defesa dos direitos humanos em nosso 
continente. Na Argentina, o ex-ditador Reinaldo Bignone (1982-1983) divulgou carta na 
qual pede aos saudosistas do regime militar que “continuem avançando, terminem o que nós 
não soubemos nem conseguimos terminar”. 

            Sendo protagonista de governos que fizeram desaparecer 30 mil adversários, prenderam e torturaram milhares de pessoas, o que ele quis dizer? Propôs um genocídio? A sociedade argentina mantém a polarização entre os que lutam por avanços democráticos e os que suspiram pelos tempos ditatoriais.

             Nos Estados Unidos, foi aprovada uma lei que, na prática, legaliza a tortura em 
interrogatórios. O presidente norte-americano é quem decidirá o que é e o que não é 
tortura. Os estrangeiros que forem definidos como “inimigos” pelo presidente não terão 
acesso às provas contra si. Há uma enxurrada de protestos por este claro retrocesso contra 
direitos individuais elementares, consagrados por convenções internacionais.

             Em ambos os casos, é bom lembrar Hemingway: “Não pergunte por quem os sinos dobram. 
Eles dobram por ti.”

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