| EDITORIAL - Boletim ASA nº 102, set-out/2006 |
Durante pelo menos duas décadas, entre os anos 1940 e 1960, as entidades judaicas progressistas do Brasil, Argentina e Uruguai mantiveram intenso contato. Em torno dos ICUF – Ídisher Cultur Farband locais, articulavam-se escolas, colônias de férias, imprensa e atividades culturais e políticas, mostrando grande dinamismo. As ditaduras militares atingiram em cheio esta realidade. Em 1964, logo após o golpe de 31 de março, a redação do jornal Unzer Shtime foi depredada e as máquinas, destruídas. Muitos ativistas da BIBSA e, depois, da ASA, passaram a ser perseguidos. Na década de 1970, regimes militares na Argentina e no Uruguai implantaram forte verniz terrorista. Dezenas de milhares de pessoas foram presas, torturadas e mortas. O Uruguai chegou a ter o maior número de presos políticos per capita do mundo. Judeus de esquerda estavam nesta triste estatística. As entidades judaicas progressistas nos três países eram severamente vigiadas. O resultado desta conjuntura foi a retração. Os contatos inter-institucionais cessaram. No final da década de 1980 e início da de 1990, a crise das primeiras experiências socialistas acrescentou um novo elemento de turbulência, a perda das referências políticas − ironicamente, quando as ditaduras militares desaparecem na América do Sul, alargando as liberdades públicas. A falta de renovação de quadros dirigentes e o vácuo ideológico dificultou – e ainda dificulta – a recuperação do judaísmo progressista. Desde o final de 2004, dirigentes da ASA, do ICUF argentino e da Asociación Cultural Israelita Zhitlovsky, de Montevidéu, vêm conversando sobre a necessidade de um encontro para discutir o ideário e as estratégias de atuação comum do segmento progressista. Lentamente, começava a germinar um esboço de reencontro. As articulações iniciais deram resultado. Nos próximos dias 14, 15 e 16 de outubro, será realizado, em Montevidéu, um Encontro Judaico-Progressista com delegações do Brasil, Argentina e Uruguai. A ASA, cuja diretoria está discutindo as posições a serem levadas ao Encontro, enviará sete representantes. Todos viajarão com recursos próprios. Em pauta, temas essenciais como a definição de judaísmo progressista hoje, a relação com os demais segmentos das comunidades judaicas, o relacionamento com os movimentos sociais e as formas de ação conjunta (especialmente no terreno da comunicação). Havendo convergência, este será o embrião de um Fórum Judaico-Progressista, que multiplicará a capacidade de intervenção das entidades envolvidas, nas comunidades judaicas e nas sociedades em que estão inseridas.
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