| EDITORIAL - Boletim ASA nº 101, jul-ago/2006 |
No dia 20 de agosto, serão eleitos o novo presidente do executivo e parte do Conselho Deliberativo da FIERJ. Até o fechamento desta edição, três candidatos haviam se apresentado para a presidência. Estas candidaturas podem levar a uma campanha polarizada e a um comparecimento maior de eleitores do que nas últimas eleições. A ASA espera que a campanha se desenvolva em torno de programas, não de disputas pessoais, e que o novo presidente trate todas as federadas sem discriminação. A representação institucional da comunidade judaica é plural e as preferências de quem ocupa ocasionalmente a presidência da FIERJ não devem resultar em privilégios para grupos ou setores. Quatro pontos merecem especial atenção do futuro presidente: 1. Censo da comunidade judaica do Rio de Janeiro – Promessa de várias gestões, ele nunca foi concluído. Em conseqüência, não há estatísticas confiáveis sobre o tamanho da comunidade, nem sobre a situação sócio-econômica dos judeus cariocas. O prejuízo é óbvio. Como planejar o futuro das entidades judaicas, quando o perfil do público que se quer atingir é, em larga medida, desconhecido ? São necessários fortes vontade política e empenho para buscar e canalizar os recursos para a realização do censo. 2. Atenção maior para os assuntos locais – Há sérias dúvidas sobre a adequação das entidades judaicas do Rio às demandas da comunidade. As dificuldades por que passam clubes, escolas e sinagogas sinalizam a urgência de aprofundar o debate sobre a estrutura atual, criada com enormes sacrifícios ao longo do século passado. As soluções, entretanto, ficarão cada vez mais distantes se a convocação para o debate competir com a dedicação a outras atividades, alheias aos objetivos precípuos da Federação. 3. Trabalho social – Mesmo sem os dados de um censo, é muito provável que as desigualdades que se observam em escala nacional se reproduzam nas comunidades judaicas. O resultado, sabemos: pobreza, falta de perspectivas, vulnerabilidade cultural e política. Na luta por melhorias, a ação da Federação deve, para ganhar densidade, integrar-se às ações mais gerais da cidadania. 4. Alavanca político-partidária – É legítima e desejável a participação de qualquer pessoa na vida partidária. A postulação de cargos eletivos na sociedade deve, entretanto, refletir opiniões e ações de conhecimento público, solidamente amadurecidas. Caso contrário, enfraquece a vida partidária e a representação parlamentar. A Federação não deve servir de vitrine para ambições pessoais no terreno político-partidário.
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